Preços ao produtor da China sobem após mais de 3 anos por choque de preços da guerra do Irã

10 abr 2026 - 07h18

Os preços ao produtor da China ‌subiram em março pela primeira vez em mais de três anos, em um sinal inicial de que a guerra no Irã está alimentando as pressões de custo na segunda maior economia do mundo.

Economistas alertam que uma mudança para inflação impulsionada por custos mais altos, em vez ⁠de uma demanda mais forte, pode deixar Pequim encurralado, comprimindo as margens ‌das empresas, prejudicando o crescimento e reduzindo o espaço para estímulos em um momento em que a economia já está frágil.

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O índice ‌de preços ao produtor aumentou 0,5% em ‌março em relação ao ano anterior, mostraram os dados do ⁠Escritório Nacional de Estatísticas nesta sexta-feira, encerrando uma sequência de 41 meses de quedas impulsionadas em parte pelo intenso corte de preços pelas empresas, em um fenômeno apelidado localmente de "involução". A leitura superou ligeiramente o aumento de 0,4% estimado em uma pesquisa da Reuters.

"A inflação importada ‌não é favorável à economia", disse Xing Zhaopeng, estrategista sênior para a ‌China do ANZ.

"Para erradicar ⁠o risco de ⁠deflação, a China ainda precisa continuar a promover esforços 'anti-involução' e estimular a demanda ⁠interna."

Um choque no custo dos insumos ‌para a maior base ‌industrial do mundo - que emprega centenas de milhões de pessoas - ameaça aumentar a pressão sobre os empregos e os salários. Um quarto das empresas de manufatura já está operando com prejuízo depois ⁠que anos de excesso de capacidade industrial provocaram guerras de preços implacáveis.

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O consumo interno cronicamente fraco e a demanda externa em declínio deixam a economia com pouca margem de manobra.

Os preços ao produtor aumentaram nos setores com uso intensivo de ‌energia, com o setor de mineração de metais não ferrosos registrando um salto de 36,4% no mês passado e a fundição e processamento ⁠de metais não ferrosos registrando um aumento de 22,4%.

Enquanto isso, a inflação de preços ao consumidor da China diminuiu ligeiramente em março, mas esse pode ser um fenômeno de curta duração, já que a guerra no Oriente Médio aumenta os custos.

O índice de preços ao consumidor subiu 1% em março em relação ao ano anterior, em comparação com o avanço de 1,3% em fevereiro e as previsões de um ganho de 1,2%.

Na comparação mensal, os preços ao consumidor caíram 0,7%, ante previsão de um declínio de 0,2% e um aumento de 1% em fevereiro.

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