Plataforma de moradia Housi estreia no segmento de mercadinhos autônomos em condomínios

Empresa compra participação na Honest Market; transação, cujos valores não foram divulgados, agrega mais 700 pontos de venda e cerca de 400 mil usuários ao seu aplicativo para vender serviços

2 out 2026 - 14h48
Resumo
A Housi adquiriu participação na Honest Market, rede com 700 minimercados autônomos em condomínios e vendas anuais de R$ 100 milhões, ampliando sua base para 800 mil usuários. Impulsionado pela hiperconveniência e por imóveis cada vez menores, o setor faturou R$ 706,4 milhões no Brasil em 2023. O modelo destaca-se pelo baixo custo operacional e alta margem, atraindo redes como o Hirota, que planeja expansão, apesar da desistência do Carrefour, mostrando o forte potencial desse mercado no país.

Lançados na época da pandemia, em 2020, para facilitar a vida do consumidor que queria evitar o contato e o risco de contaminação na hora da compra, os minimercados autônomos dentro de condomínios se tornaram uma via de crescimento importante do varejo na era do consumo de hiperconveniência. E estão atraindo novas empresas para o setor.

A Housi, plataforma de moradia que conecta edifícios, moradores, marcas e serviços por meio de um aplicativo, acaba de anunciar que comprou participação na Honest Market, rede de supermercados autônomos dentro de condomínios. O valor do negócio e a fatia adquirida da empresa não foram divulgados.

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Alexandre Frankel, fundador e CEO da Housi, que comprou participação na Honest Market Brasil
Alexandre Frankel, fundador e CEO da Housi, que comprou participação na Honest Market Brasil
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Para a Housi, a transação agrega mais 700 pontos de venda e cerca de 400 mil usuários ao seu aplicativo. Agora, um total de mais de 800 mil moradores poderá consumir serviços dentro dos edifícios operados pela plataforma.

Com vendas anuais de cerca de R$ 100 milhões, a Honest Market está presente em 20 Estados brasileiros com lojinhas franqueadas dentro de condomínios.

"O negócio de loja autônoma tem tudo a ver com a Housi, porque complementa a sua atuação e entrega uma solução completa", diz o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo.

Ele observa que o varejo vive hoje a era da hiperconveniência. Isto é, o consumidor compra e quer ter o produto logo em mãos. Isso explica o sucesso dos aplicativos de entregas rápidas, como iFood e 99Food, por exemplo. "A tendência da hiperconveniência no consumo é irrefreável."

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Neste caso, a loja de condomínio, que praticamente funciona como a despensa de apartamentos cada vez menores, é o suprassumo da conveniência, observa o consultor.

Expansão

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que havia no País, no ano passado, 4.381 lojas autônomas de condomínio em operação. Juntas, elas faturaram R$ 706,4 milhões. Isso resulta em vendas anuais de cerca de R$ 161 mil por loja. Por mês, cada loja fatura R$ 13,4 mil.

Esses números podem indicar um negócio pouco atraente. No entanto, o custo de operação dessas lojas normalmente é baixo, pois não têm funcionários, só quando são abastecidas. A lucratividade do negócio vem da margem elevada cobrada sobre os poucos itens oferecidos.

A rede de supermercados Hirota, por exemplo, foi uma das primeiras empresas grandes do setor de supermercados a ingressar nesse segmento de lojas autônomas em condomínios e permanece até hoje.

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O grupo francês Carrefour, líder do setor de supermercados, por exemplo, até fez uma incursão na área. Chegou a ter 50 lojas autônomas dentro de condomínios. Mas, em 2024, desistiu desse segmento. A companhia focou em lojas de grande superfície.

Enquanto isso, o Hirota persistiu no modelo. Planeja fechar este ano com 181 lojas autônomas dentro de condomínios, espalhadas pela cidade de São Paulo e interior paulista.

Só neste ano serão abertas 27 novas lojas com investimentos de R$ 3 milhões. Para o ano que vem, a varejista planeja inaugurar mais 30 unidades, no mínimo, diz o diretor da varejista Hélio Freddi.

Segundo o executivo, a entrada da Housi nesse negócio não afeta o Hirota. "O único operador desse segmento que tem supermercado somos nós."

Pelo fato de atuar no setor, a companhia ganha na escala nas compras das mercadorias junto às indústrias e tem maior número de itens dentro das lojas autônomas em relação aos concorrentes.

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A tendência é que esse segmento de lojas dentro de condomínios — que começou por questões circunstanciais na época da pandemia e ganhou musculatura — cresça ainda mais. Não só por conta da demanda por hiperconveniência no consumo, mas também pelo tamanho cada vez menor dos imóveis residenciais.

"O potencial é gigante. O Brasil tem mais de 25 mil condomínios residenciais com capacidade para receber uma lojinha dessas", afirma Freddi.

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