A Petrobras assinou um acordo com a Vale para fornecer diesel S10, já com adição de 15% de biodiesel, para operações da mineradora em Minas Gerais, como parte de uma estratégia da estatal que busca a reaproximação com consumidores finais de seus produtos, após a venda da BR Distribuidora no governo anterior.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Petrobras não revela valores e volumes envolvidos.
O contrato também prevê oportunidades de desenvolvimento de negócios em baixo carbono com a Vale, como a possibilidade de compra e venda de Diesel R, com conteúdo renovável, e possíveis tratativas para o fornecimento de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), adicionou a estatal.
Além da Vale, a empresa tem atuado para vender também para o agronegócio e outros grandes players, segundo declarações anteriores de executivos da companhia.
"Estabelecer esse contato direto permite à companhia conhecer melhor as necessidades dos consumidores e ser mais assertiva na construção de soluções que gerem valor para clientes e sociedade", disse a presidente, Magda Chambriard, em nota.
"Ao oferecer combustíveis de alto desempenho e, também, capazes de colaborar com as metas de descarbonização das empresas, a Petrobras aperfeiçoa sua estrutura logística e capacidade de produzir para clientes de relevância internacional."
Chambriard e outros executivos da Petrobras se queixam com frequência de ter perdido o contato direto com consumidores na ponta, depois que a Petrobras vendeu completamente a BR Distribuidora, durante o governo de Jair Bolsonaro, em um movimento que também a impede de atuar na distribuição até pelo menos 2029.
Também no comunicado desta segunda-feira, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o contrato "consolida uma relação de confiança" e cria espaço para a exploração de soluções que contribuam para que as operações da mineradora sejam "cada vez mais eficientes e sustentáveis".
Desde 2023, Petrobras e Vale vêm colaborando em parcerias de negócios para o desenvolvimento de soluções de baixo carbono. No ano passado, foi estabelecido acordo para cooperação, incluindo os testes de Diesel R5 (5% de conteúdo renovável, além dos 15% obrigatórios de biodiesel) e de combustível marítimo ("bunker") com 24% de parcela renovável.