Membros do BCE sinalizam vigilância sobre a inflação enquanto os bancos apostam em aumento de juros

20 mar 2026 - 08h02

Membros do Banco Central Europeu alertaram sobre os riscos crescentes para ‌a inflação nesta sexta-feira, mas não chegaram a pedir uma política monetária mais aperta, mesmo com uma série de corretoras começando a prever aumentos nos juros já em abril.

O BCE deixou as taxas de juros inalteradas na quinta-feira, mas alertou que a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã pode levar a inflação muito acima de sua meta de 2% este ano e que ⁠um conflito prolongado pode manter a inflação elevada nos próximos anos.

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Essa visão reforçou as apostas já generalizadas ‌de aumento dos juros e autoridades, falando sob condição de anonimato, reconheceram que abril pode estar em jogo, a menos que o conflito seja resolvido nas próximas semanas.

Entretanto, seus comentários públicos nesta sexta-feira ‌foram mais comedidos.

"Devemos manter a cabeça fria e ficar de ‌olho em todo o campo de jogo", disse o presidente do banco central finlandês, Olli ⁠Rehn, acrescentando que as autoridades precisam separar a volatilidade de curto prazo do impacto econômico de longo prazo.

O presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau, disse que o BCE não deve reagir de forma exagerada ao aumento do preço da energia, que pode elevar a inflação para 2,6% este ano, de acordo com a projeção básica do BCE.

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"Temos os olhos na bola e as ‌mãos prontas para agir", disse ele em uma entrevista ao site de notícias financeiras Boursorama.

Enquanto isso, o chefe ‌do Banco da Espanha, José ⁠Luis Escrivá, alertou que continua ⁠difícil avaliar o impacto dos preços mais altos da energia sobre a trajetória da inflação, de modo que ⁠o BCE deve manter sua prática de tomar decisões reunião ‌a reunião.

APOSTAS DE ALTA

Os mercados ‌financeiros agora preveem mais de dois aumentos nas taxas de juros este ano, com o primeiro em junho. Os bancos centrais normalmente ignoram os choques do petróleo, mas o temor é que o aumento do preço da energia seja tão grande que se infiltre na economia como ⁠um todo, afetando os custos de tudo e perdurando por um longo período.

O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu esse risco e disse que o BCE pode ser forçado a intervir, a menos que os preços da energia se normalizem logo.

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"Na situação atual, é possível que as perspectivas de inflação de médio prazo se deteriorem e ‌que as expectativas de inflação aumentem de forma sustentada, o que significa que uma postura mais restritiva da política monetária provavelmente seria necessária", disse Nagel à Bloomberg.

Enquanto isso, corretoras começaram a apostar em ⁠aumentos rápidos da taxa de juros, mudando suas previsões após a reunião de quinta-feira do BCE.

O J.P. Morgan, o Morgan Stanley e o Barclays agora preveem que o BCE aumentará os juros em 2026, uma mudança acentuada em relação às suas previsões anteriores de que as taxas permaneceriam inalteradas.

O Barclays e o J.P. Morgan preveem uma mudança em abril, seguida de novos aumentos em junho e julho, respectivamente. Enquanto isso, o Morgan Stanley espera aumentos de 25 pontos-base em junho e setembro.

Ainda assim, nem todos ficaram convencidos.

"O Conselho do BCE é dominado por membros que têm um viés dovish", disse o economista-chefe do Commerzbank, Joerg Kraemer.

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"Continuo não convencido pela expectativa dos mercados futuros de que o BCE aumentará sua taxa de juros básica duas vezes até o final do ano", disse ele. "O obstáculo para taxa de juros mais alta é maior do que o esperado."

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