Mãe cria roupa flutuante para filha, ideia vira negócio e empresa fatura R$ 800 mil por ano

Experiência fez com que Cássia Dillem criasse a Titibum, empresa especializada em roupas flutuantes

22 jan 2026 - 04h59
Cássia Dillem participou do Shark Tank em 2023; reality show foi ponto de virada na empresa dela
Cássia Dillem participou do Shark Tank em 2023; reality show foi ponto de virada na empresa dela
Foto: Divulgação/Shark Tank

O cuidado e o medo de mãe fizeram com que Cássia Dillem se reinventasse após 30 anos trabalhando como CLT. Em 2013, percebendo que sua filha de um ano e meio não conseguia ficar longe da água, a empresária criou um protótipo que caiu no gosto de outras mães e pais. Hoje, Cássia tem um negócio que fatura cerca de R$ 800 mil anualmente, a Titibum, empresa especializada em roupas flutuantes. 

Cássia conta ao Terra que sua filha Lara, de 14 anos, sempre foi apaixonada por água. "Quando ela tinha um ano e meio, ela não podia ver piscina, praia. Ela literalmente 'desfilava' em direção ao mar. É uma atração que as crianças têm pela água", diz.

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Com o passar dos anos, o apreço de Lara por mar e piscina aumentou, bem como a preocupação de Cássia com a segurança da filha. "Frequentávamos muito a casa da família do pai da Lara, que tinha piscina no jardim. Às vezes, eu dormia lá e acordava assustada, porque a primeira coisa que a gente pensa é na piscina. Piscinas e crianças são uma preocupação constante, um tormento para quem é pai e mãe."

Para piorar a angústia da mãe, Lara não conseguia se adaptar às boias tradicionais. "Ela não gostava das boias de braço, porque incomodavam muito. Testei vários tipos: algumas eu não achava seguras, como aquelas presas na perna. As que eu considerava mais seguras, que pegam o peito e os braços, ela também não gostava. Então pensei: como resolver isso? Eu amarrava o macarrão de piscina, mas ele soltava o tempo todo", explica.

Foi então que ela resolveu adaptar uma boia para que a filha pudesse curtir a piscina e o mar de forma segura. O primeiro protótipo de Cássia foi um macarrão de piscina costurado. Com o tempo, ela percebeu que poderia melhorar aquela 'gambiarra' com um modelo com bolsos, o que faria com que Lara flutuasse de forma segura e menos invasiva, além de prevenir qualquer tipo de acidente.

"Ficou muito funcional para ela. Comecei a levá-la para outros lugares e as pessoas se interessavam pelo que viam. Eu já tinha usado vários produtos importados, então fui me inspirando até criar o meu. Fui adaptando o que havia de melhor em cada um e buscando o máximo de conforto." 

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Cássia já ajudou na adaptação de crianças aos produtos da Titibum
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

'Gambiarra' virou negócio

Percebendo a demanda de mães e pais no seu entorno, Cássia começou a vender os primeiros produtos de forma informal há cerca de 12 anos. Em 2018, ela formalizou o CNPJ da empresa, abriu um site e passou a vender formalmente as roupas flutuantes com estampas exclusivas e personalizadas. As peças feitas para crianças de 1 a 8 anos oferecem flutuação e proteção UV.

"Comecei a produzir enfrentando todas as dificuldades normais de quem empreende. As pessoas começaram a usar e gostar tanto quanto eu. O produto virou uma necessidade para quem usava. A gente começou a chamar de 'Titibum'. Hoje as pessoas pedem o 'Titibum'. As roupas flutuantes passaram a ser chamadas assim", detalhou.

Segundo Cássia, os flutuadores criados pela Titibum também ajudaram Lara a aprender a nadar. "Fui retirando os flutuadores aos poucos, conforme via o desenvolvimento dela, até que ela já nadava sem nenhum apoio. Isso me chamou muito a atenção: era um produto que ajudou minha filha a aprender a se manter na água. Não a técnica de natação, mas a flutuação, o equilíbrio."

Com a demanda crescendo e recebendo depoimentos positivos dos clientes, a empresária começou a desenvolver mais produtos flutuantes, pensados, também, para crianças atípicas. "Com o tempo, mães de crianças atípicas --autistas, com síndrome de Down-- começaram a me procurar e relatar como seus filhos ficavam felizes na água, com liberdade", comenta emocionada. Cássia ressalta que os produtos devem ser usados com a supervisão de um adulto até que a criança se adapte.

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Produtos Titibum fazem sucesso entre os pequenos
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

Visibilidade nacional

Em 2023, a Titibum sofreu sua grande virada. Cássia foi convidada a se inscrever no programa Shark Tank, onde empresas apresentam suas ideias de negócio com o objetivo de receber investimento de grandes empresários. Cássia enviou um pré-projeto com estudo de viabilidade e passou por todas as etapas de seleção até ser convidada para São Paulo, onde apresentou um pitch.

Com malas, manequins e produtos em mãos, a empresária partiu para São Paulo cheia de sonhos e esperança para apresentar sua ideia de negócio. A experiência única rendeu a ela um investidor: Joel Jota.

"Quando ele me escolheu --e eu o escolhi-- foi um divisor de águas. Joel é um parceiro incrível, me ajuda muito. Não existe fórmula mágica, eu continuo trabalhando duro, mas o programa me deu uma visibilidade enorme. Depois do Shark Tank, passamos a vender todos os dias. Antes, isso não era a minha realidade", conta.

Cássia fica responsável pela compra de insumos, produção, logística, embalagem, vendas, marketing, envio e pós-venda, enquanto o investidor do Shark Tank auxilia na parte financeira, com o objetivo de expandir o negócio. 

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"Após o Shark Tank tivemos um boom. Chegamos a faturar quase R$ 200 mil por mês em alguns períodos. Existe uma sazonalidade porque no inverno as vendas caem. Hoje nossa média mensal gira entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. Anualmente, cerca de R$ 800 mil. Ainda estamos em fase de crescimento, com muito cuidado para manter a qualidade do produto", explica.

Para Cássia, o sentimento é de dever cumprido, especialmente porque o produto ajuda a prevenir afogamentos. Fechando o ano passado com chave de ouro, a empresária foi pega de surpresa ao ver o jogador Neymar usando um dos produtos da Titibum para adaptar sua filha Mavie, de 2 anos, à piscina.

"Uma pessoa ligada ao Instituto Neymar já era nossa cliente. Além disso, o Joel Jota frequenta a casa do Neymar e os filhos dele usam o Titibum. A família do Neymar conheceu o produto, comprou pelo site e depois o próprio Neymar apareceu fazendo a adaptação da filha na piscina. Foi uma alegria enorme e trouxe muita visibilidade pra marca", revela.

Para este ano, a empresária conta que pretende continuar investindo nos produtos para crianças, mas, também, para o público adulto. "Uma criança que não aprende a nadar, é um adulto que não nada. É uma bola de neve. Quando você é adulto, pode ter mais dificuldades e alguns bloqueios. Todos os dias a gente vende um Titibum para adultos, então já é um sucesso. Fizemos vários testes, testamos com usuários de cadeira de rodas, com pessoas com vários tipos de comorbidades, e está indo super bem."

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Fonte: Portal Terra
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