O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, sustentado pela desaceleração mais forte que o esperado do IPCA-15 e pelo consequente reforço nas apostas de novos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,7%, a 176.564,75 pontos, após marcar 175.326,40 na mínima e 178.538,64 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$22,3 bilhões.
Pouco antes da abertura do pregão, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho, ante alta de 0,41% em junho, em uma desaceleração bem mais ampla do que o mercado projetava, puxada pela queda dos preços de alimentos.
"Para o mercado financeiro, o dado reforça a percepção de que o Banco Central ganhou mais espaço para seguir reduzindo a Selic de forma gradual... Esse resultado fortalece a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom", disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord.
O otimismo doméstico conviveu com um pregão mais volátil nos Estados Unidos. As bolsas de Nova York chegaram a operar em queda mais cedo, com o Nasdaq recuando cerca de 1% na abertura, mas os mercados norte-americanos acabaram fechando em alta, com o S&P 500 subindo 0,23% e o Dow Jones avançando mais de 1%.
Os investidores também acompanharam as notícias sobre o Federal Reserve, que anuncia sua decisão de juros na quarta-feira. Contratos futuros chegaram a precificar uma chance de cerca de 40% de uma alta surpresa de juros, uma probabilidade bem acima do usual, embora mercados de previsão apontassem uma chance mais moderada, de cerca de 20%.
Também no cenário externo, o petróleo Brent cedeu com força, recuando cerca de 5%, para pouco acima de US$83, refletindo a trégua entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Apesar disso, a Petrobras fechou em leve alta, com os investidores no aguardo dos dados de produção e vendas da estatal, que serão divulgados após o fechamento do pregão.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN subiu 0,49% e PETROBRAS ON se valorizou 0,8%, apesar da queda do petróleo Brent. A companhia divulgará dados de produção e vendas após fechamento do pregão.
• VALE ON fechou estável, pressionada por perdas do minério de ferro no exterior.
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,4%, em sessão positiva para os bancos. BRADESCO PN se valorizou 0,3%, SANTANDER BRASIL UNIT teve alta de 1,13% e BANCO DO BRASIL ON avançou 1,6%.
• TIM ON caiu 5,8%, apesar de ter publicado na véspera lucro líquido ajustado de R$1,04 bilhão no segundo trimestre, 6,2% acima do desempenho obtido um ano antes e dentro do esperado pelo mercado, segundo dados da LSEG.
• TELEFÔNICA BRASIL ON caiu quase 6%, embora tenha divulgado na noite da segunda-feira resultado de segundo trimestre também dentro do esperado pelo mercado, com o lucro líquido 17% maior que o desempenho de um ano antes.
• SIMPAR, que não faz parte do índice, subiu 3,1% após apurar receita líquida de R$11,25 bilhões para o segundo trimestre na segunda-feira, um crescimento de 8,8% sobre o mesmo período do ano passado.