Com alta de 116,3% no patrimônio no último ano, os ETFs vivem forte expansão no Brasil, cenário que deve se intensificar com a regulamentação dos ETFs de gestão ativa pela CVM. Diferente dos modelos passivos, eles permitem que gestores busquem superar índices mantendo liquidez, transparência e baixos custos. A novidade viabilizará estratégias inéditas, exigirá avanços na infraestrutura de mercado e complementará os fundos tradicionais, marcando uma nova fase para a indústria financeira do país.
É inegável a importância que os ETFs vêm conquistando entre os investidores. Com um crescimento de 116,3% no patrimônio líquido no último ano - o maior entre todas as classes de fundos, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) -, esses produtos já despontam como um dos mais dinâmicos do mercado. Esse protagonismo tende a se intensificar com a chegada dos ETFs de gestão ativa no Brasil, cuja regulamentação está entre as prioridades da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para este ano.
Em mercados mais desenvolvidos, esses produtos já são realidade e têm ampliado o alcance e a versatilidade dos ETFs. Diferentemente dos ETFs passivos, que acompanham a carteira de um índice de mercado, nos ETFs ativos o gestor tem liberdade para selecionar os ativos, ajustar exposições e buscar retornos acima de benchmarks.
E tudo isso preservando as características que tornam os ETFs atrativos: eficiência de custos, transparência e liquidez diária. Esses atributos ajudam a explicar o sucesso desse mercado: nos últimos dez anos, o número de ETFs no País saltou de 15 para 225. Já a captação líquida alcançou R$ 42,5 bilhões até setembro de 2026 - o maior valor da série histórica da Anbima, iniciada em 2004.
Não à toa, são grandes as expectativas em relação à estreia dos ETFs de gestão ativa no Brasil. Sua chegada deve impulsionar a evolução de segmentos já consolidados de fundos de índice, como os de renda fixa, além de abrir espaço para estratégias inéditas por aqui, mas populares no exterior. Um exemplo são os ETFs do tipo buffer, que oferecem proteção parcial contra perdas.
A infraestrutura de mercado também precisará evoluir para acompanhar esse avanço, com a ampliação dos ativos negociados em bolsa, o fortalecimento dos mercados primário e secundário, além do reforço da transparência das carteiras, da adequação dos produtos ao perfil do investidor e da educação financeira - frentes em que a Anbima atua ao lado do regulador.
Vale ressaltar que a estreia desses ETFs não tende a reduzir a relevância dos fundos de gestão ativa tradicionais, que seguirão essenciais para estratégias menos líquidas e mandatos mais específicos.
Se os ETFs passivos abriram o caminho para a popularização do investimento indexado, os ETFs ativos podem representar o próximo passo na evolução da indústria de fundos. Com um arcabouço regulatório em evolução e investidores cada vez mais informados, o Brasil reúne todas as condições para se destacar entre os emergentes no desenvolvimento desse mercado.