Dólar cai ao menor valor desde abril de 2024 com cessar-fogo entre EUA e Irã

9 abr 2026 - 17h11
(atualizado às 17h20)

O dólar fechou ‌a quinta-feira em baixa ante o real, no menor valor desde abril de 2024, novamente impactado pelo acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, com a moeda norte-americana também registrando queda ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,80%, ⁠aos R$5,0626, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, ‌quando atingiu R$5,0067.

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No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,77%.

Às 17h05, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no ‌mercado brasileiro -- cedia 0,71% na B3, aos R$5,0860.

Na ‌quarta-feira, o dólar já havia exibido quedas firmes ante o real, ⁠em meio à euforia dos investidores com o acordo entre EUA e Irã. Nesta quinta-feira, porém, as dúvidas sobre a aplicação do cessar-fogo e a normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz contiveram o otimismo.

O tráfego por Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal, enquanto ‌Teerã reafirmou seu controle sobre a área, alertando os navios para que se ‌mantivessem em suas águas ⁠territoriais.

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Já Israel lançou ⁠novos ataques contra alvos no Líbano, enquanto em outra frente o primeiro-ministro israelense, Benjamin ⁠Netanyahu, deu instruções para que o ‌país inicie negociações de paz ‌que incluiriam o desarmamento do Hezbollah.

Apesar das preocupações com o cessar-fogo, o dólar se enfraqueceu ao longo da manhã ante moedas de países emergentes como o real, o peso chileno e o peso mexicano.

Após ⁠atingir a cotação máxima de R$5,1070 (+0,07%) às 9h47, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0586 (-0,88%) às 14h40, em sintonia com o avanço do Ibovespa e a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

Mesmo em um ambiente de incerteza geopolítica e petróleo ‌elevado (próximo de US$100), que em tese sustentariam o dólar, o mercado operou na direção oposta, refletindo desmonte de posições defensivas", comentou Bruno Shahini, especialista ⁠em investimentos da Nomad.

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"No Brasil, o movimento foi amplificado por fluxo estrangeiro consistente, direcionado à renda fixa e à bolsa, sustentado pelo elevado diferencial de juros mesmo diante da possibilidade de corte (da Selic) pelo Copom", acrescentou. Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, houve uma "coerência interna" no movimento do câmbio nesta quinta-feira no Brasil, "com bolsa subindo e dólar caindo".

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.

No exterior, às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,24%, a 98,829.

(Edição de Isabel Versiani)

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