Brasil está em posição de liderar produção de combustível sustentável de aviação, diz Alckmin

Durante evento, vice-presidente destacou que a aviação global enfrenta desafios que nenhum país consegue resolver sozinho

7 jun 2026 - 11h30

RIO DE JANEIRO - O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo, 7, que o Brasil está em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). A declaração foi feita durante a abertura da 82.ª Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), no Rio de Janeiro.

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"Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo. Nossa agroindústria, nossa biodiversidade e nossa capacidade de pesquisa colocam o Brasil em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustíveis sustentáveis de aviação, o SAF", afirmou.

Alckmin disse que a descarbonização da aviação é um dos principais desafios enfrentados pelo setor globalmente. Mas destacou que a combinação entre recursos naturais e capacidade industrial diferencia o País de outros mercados.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"O Brasil pode ser, para a descarbonização da aviação, o que nenhum outro país do mundo pode ser: uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global", acrescentou.

A Iata estima que a produção mundial do combustível sustentável deverá atingir cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, o equivalente a apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação. O diretor-geral da associação, Willie Walsh, afirmou que 2026 deverá ser "mais um ano decepcionante" para a produção de SAF, "com políticas governamentais mal sequenciadas e o desinteresse das empresas petrolíferas".

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Nesse contexto, a Iata avalia que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais polos globais de produção de SAF nas próximas décadas. Segundo a associação, o País poderá produzir cerca de 60 milhões de toneladas do combustível até 2050, apoiado por iniciativas como o RenovaBio, a Lei do Combustível do Futuro, a Política Nacional de Transição Energética e o Programa de Aceleração da Transição Energética.

Na avaliação da entidade, além de atender à demanda doméstica, o Brasil tem potencial para se tornar um importante fornecedor global de matérias-primas e exportador de SAF.

Desafios

A aviação global enfrenta desafios que nenhum país consegue resolver sozinho, afirmou Alckmin. "O custo do combustível permanece elevado e volátil. As cadeias de suprimento ainda carregam as cicatrizes da pandemia. A pressão por descarbonização é crescente, legítima e urgente. E a escassez de mão de obra qualificada ameaça a capacidade operacional em vários mercados", disse.

Ao citar medidas voltadas à competitividade do setor, Alckmin citou a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o transporte aéreo regular de passageiros e a redução gradual do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre operações de leasing de aeronaves. "Medida que gerou uma economia de centenas de milhões de reais ao setor", afirmou.

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O vice-presidente destacou a inclusão do setor aeronáutico entre aqueles considerados estratégicos da Nova Indústria Brasil e a adesão do País ao acordo sobre comércio de aeronaves civis da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Decisão que nos coloca ao lado dos grandes produtores na governança do mercado aeronáutico global", acrescentou.

Segundo Alckmin, o governo Lula trata a aviação como política de Estado em meio ao potencial do mercado aéreo brasileiro. "Temos uma classe média vigorosa e uma geografia que torna o avião não um luxo, mas sim uma necessidade", afirmou.

Disse ainda que a aviação regional é vista como um instrumento de integração nacional. Como exemplo, ressaltou o programa Ampliar, que busca integrar até 102 aeroportos regionais aos contratos de concessão existentes, com potencial de mais de R$ 3,4 bilhões em novos investimentos.

A repórter viajou a convite da Iata

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