BC decreta liquidação extrajudicial da CBSF, ex-Reag, um dia após operação da PF

Decisão ocorre um dia depois que o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora, foi alvo da operação da Polícia Federal

15 jan 2026 - 08h26
(atualizado às 08h40)

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, decretou nesta quinta-feira, 15, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag DTVM. A Polícia Federal investiga se fundos da gestora foram usados em fraudes junto ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro.

Segundo a decisão, a liquidação foi adotada porque a CBSF infringiu normas que disciplinam as suas atividades. O BC alertou ao Ministério Público Federal sobre transações relâmpago feitas por vários fundos da Reag a partir de um empréstimo do Master.

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Galípolo nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Adminitrativo Ltda., tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza. Ele já trabalhou ao menos na liquidação do Banco Bamerindus.

Reag se diz vítima da Operação Carbono Oculto
Reag se diz vítima da Operação Carbono Oculto
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Na quarta-feira, a Polícia Federal lançou a segunda fase da operação Compliance Zero, apurando o esquema bilionário de fraudes financeiras por meio de fundos da Reag. A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master.

Na primeira fase da operação, Vorcaro chegou a ser preso um dia antes de o Master ser liquidado. Desde então, foi solto. Na noite de quarta, Galípolo teve uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Não há informações detalhadas sobre a pauta.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag, foi um dos alvos da operação da PF deflagrada na quarta-feira para apurar suspeitas envolvendo o Banco Master. Ele foi alvo de buscas, mas não estava no Brasil.

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A Reag se diz vítima da Operação Carbono Oculto. A ação policial foi deflagrada em agosto do ano passado contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As autoridades fizeram uma devassa nas contas da holding de Mansur, que foi apontada como suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas blindado o patrimônio de grupos criminosos — algo que a empresa nega.

Com as dificuldades, a Reag vendeu boa parte dos seus negócios e devolveu o Edifício Bothanic, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a apenas 100 metros da Faria Lima, uma área nobre do distrito financeiro. Com estilo moderno, fachada repleta de plantas, sem muros, o imóvel é composto por térreo mais dois andares e cobertura, ocupados exclusivamente pela gestora até então.

Como revelou o Estadão em outubro do ano passado, a relação da Reag com o Primeiro Comando da Capital (PCC), revelada pela Operação Carbono Oculto, ia além da administração de fundos de investimentos ligados à organização criminosa, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Os promotores disseram à Justiça que a Reag e alguns de seus sócios e diretores têm participações em negócios ligados à facção, entre outras conexões. Na época, a Reag afirmou serem "infundadas as alegações que procuram associar sua atuação ou de seus diretores a práticas irregulares".

Como mostrou o Estadão em dezembro do ano passado, a Polícia Federal apreendeu na casa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, documentos sobre a movimentação de recursos em fundos de investimento administrados pela Reag. Esses extratos reforçam os vínculos da gestora com o banco, que também foi liquidado pelo BC.

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Quando a operação Carbono Oculto foi deflagrada, a gestora admitiu publicamente que um dos fundos administrados por ela negociou a compra de CDBs do banco de Vorcaro. Há suspeitas de que o Master realizou operações financeiras fraudulentas por meio dos fundos geridos pela Reag. Para os investigadores, esses fundos poderiam servir para desvio de recursos do patrimônio do banco e operações de lavagem.

Corretora

O BC também decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio, por "grave comprometimento da situação econômico-financeira" e "graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição." Os processos não estão relacionados.

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