Mesmo após mais de 20 anos que a novela Alma Gêmea foi exibida pela primeira vez na TV Globo, os memes da vilã Débora, interpretada pela atriz Ana Lúcia Torre, 80 anos, seguem vivos nas redes sociais. Você já viu a frase "Finalmente, os refrescos"? Essa é uma referência ao plano da personagem de envenenar inimigos, mas é ela quem acaba tomando o veneno. Ao Terra, Ana Lúcia afirma que foi um prazer dar vida à vilã de Walcyr Carrasco e relembra os bastidores da novela.
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"Era uma vilã da pior qualidade. Ela é emblemática, virei meme até hoje. Mas o prazer que eu tive nela e a parceria com a Flávia Alessandra [interpretava Cristina] foi tão fantástica, porque ser vilã desse nível é a coisa mais gostosa que existe. A gente se divertiu tanto, eu e ela, e a Débora fazia coisas tão loucas", comenta.
Segundo a artista, nos dias de gravação da novela, várias pessoas ficavam dentro do estúdio para acompanhar quais seriam as próximas vilanias de Débora. "Um dos câmeras uma vez me disse 'quero ver o que ela vai aprontar hoje'", lembra. "Eu saía na rua, as pessoas me viam e começavam a rir. Era inacreditável o que ela fazia, então foi muito gostoso", acrescenta sobre a repercussão da personagem.
Além de Alma Gêmea (2005), Ana Lúcia cita O Cravo e a Rosa (2000) como outra novela muito especial de Walcyr Carrasco que ela participou. Na trama, ela interpretou Leonor Fernandes, mais conhecida como Neca, que era a governanta do sítio de Petruchio (Eduardo Moscovis). "Adoro O Cravo e a Rosa, é maravilhosa. Foi uma novela que me deu um enorme prazer, que eu me diverti muito, que fiz amigos muito queridos", diz Ana Lúcia.
Fora das telinhas, mas no teatro
A atriz já atuou em oito novelas do autor. No ano passado, ela foi convidada para fazer parte de mais uma: Êta Mundo Melhor!, uma continuação de Êta Mundo Bom! (2016), mas precisou recusar o convite por problemas de saúde e para se dedicar ao teatro. Na novela, a personagem dela era a costureira Camélia Batista, proprietária da pensão onde Candinho (Sergio Guizé) se hospeda ao chegar em São Paulo.
"Logo que eu fui chamada, eu estava naquela fase ainda muito sem saber o que estava acontecendo comigo [a atriz foi diagnosticada com uma doença hormonal]. E rapidamente depois desse convite, eu melhorei. E expliquei para o produtor e montador que eu estava fazendo uma produção, que era minha também e queria me dedicar a isso porque eu estava num processo de uma enorme renovação", detalha Ana Lúcia.
"Gosto da televisão, me divirto estando lá, tenho amigos, camareira, maquiador e um diretor de arte que sempre me manda mensagem, a gente conversa o tempo todo, mas agora eu precisava fazer esse espetáculo por mim", completa a veterana.
Em cartaz com peça autobiográfica
Ana Lúcia está em cartaz em São Paulo com a peça Olhos nos Olhos. No monólogo, Ana Lúcia mescla histórias de sua trajetória pessoal e profissional com as letras de várias músicas icônicas de Chico Buarque de Holanda, com participação do pianista Diógenes Junior. Entre as letras, estão Olhos nos Olhos, Cálice, Atrás da Porta, Apesar de Você e Meu Guri.
No monólogo, ela divide com o público memórias e reflexões sobre vários temas, como adolescência, entrada na faculdade, amores, separações, mulheres, maternidade aos 40 anos e inclusive sua prisão durante a ditadura militar, assunto que sempre foi muito delicado para a atriz e que ela não comentava antes.
Serviço:
- Temporada: de 16 de janeiro até 29 de março
- Sessões: sexta-feira e sábado às 20h30; domingo às 18h30
- Local: BTG Pactual Hall - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, São Paulo - SP
- Ingressos: entre R$ 25 e R$ 160
- Duração: 75 minutos
- Classificação: 12 anos