A convivência intensa dentro do BBB26 extrapolou os limites do jogo e chegou ao campo jurídico após um comentário feito durante a primeira Prova do Líder. Um boletim de ocorrência foi registrado por suspeita de intolerância religiosa, levantando um debate que vai além das estratégias do reality. A iniciativa partiu de Og Sperle, que atua como representante da União Wicca do Brasil e também integra conselhos voltados à defesa da liberdade de crença no país. Para ele, determinadas expressões não podem ser tratadas apenas como ofensas comuns quando atingem práticas religiosas reconhecidas.
O episódio que desencadeou a denúncia envolveu um atrito entre as participantes Milena e Sol Vega durante a prova de resistência realizada na terça-feira, 13 de janeiro. Já fora da disputa, na madrugada do dia 14, Milena fez um comentário direcionado à colega, chamando-a de "bruxa velha", em tom depreciativo. A fala rapidamente repercutiu fora da casa e foi interpretada por entidades religiosas como um possível ataque simbólico à bruxaria, que possui proteção legal no Brasil.
Enquadramento legal e posicionamento das entidades
O registro foi fundamentado na Lei nº 7.716/1989, em seu artigo 20, que aborda crimes motivados por preconceito relacionado à raça, cor, etnia, religião ou origem. No documento, aparecem como partes lesadas a União Wicca do Brasil, o Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa e o Conselho Municipal pela Liberdade Religiosa. A interpretação apresentada sustenta que o uso ofensivo da palavra "bruxa" pode configurar desrespeito a uma religião oficialmente reconhecida pelo ordenamento jurídico.
O caso reacendeu discussões sobre limites da linguagem em ambientes de grande exposição e sobre a responsabilidade de figuras públicas diante de temas sensíveis. Embora o comentário tenha ocorrido em um momento de tensão típica de reality show, especialistas defendem que o impacto social deve ser considerado. A expectativa agora é que as autoridades avaliem o contexto e decidam se a declaração se enquadra como intolerância religiosa, reforçando a importância do respeito à diversidade de crenças no espaço público.