Pioneiro como âncora na Globo, Carlos Monforte fez um jornalismo discreto e respeitoso que faz falta hoje em dia

Apresentador foi um dos primeiros na TV a ser autorizado a emitir opiniões em bancada de telejornal

31 ago 2026 - 10h12
(atualizado às 10h12)

A voz elegante sempre sob controle, jamais alterada.

Dar e analisar a notícia sem querer aparecer mais do que a informação.

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Não tratar o entrevistado como estivessem em um julgamento público.

Assim será lembrada a atuação de Carlos Monforte no telejornalismo.

Sua morte, aos 77 anos, encerra uma carreira importante diante das câmeras.

Em 1978, ele deixou o ‘O Estado de S. Paulo’ e estreou na Globo.

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Logo se destacou como repórter de rua e foi promovido a âncora de telejornal sem nunca ter comandado uma bancada.

“Foi um susto”, disse ao projeto Memória Globo.

Tornou-se um dos primeiros apresentadores da TV brasileira com a liberdade de comentar e opinar.

Esteve à frente do ‘Bom Dia São Paulo’ e, depois, do ‘Bom Dia Brasil’.

Monforte não era apenas apresentador. Exercia a função de editor-chefe, definindo as pautas.

Fez entrevistas reveladoras com militares na fase final da ditadura, ativistas do movimento das Diretas Já e candidatos da primeira eleição à Presidência após a redemocratização.

Carlos Monforte teve papel importante nos primeiros anos da GloboNews
Carlos Monforte teve papel importante nos primeiros anos da GloboNews
Foto: Reprodução/Memória Globo

O jornalista deixou a Globo em 1992 para trabalhar com comunicação na iniciativa privada. Pouco depois, retornou como repórter especial do ‘Jornal da Globo’ em Brasília.

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Em 1998, ele começou na GloboNews, onde passou por diferentes programas e chegou a apresentar o ‘Jornal das Dez’.

Deixou definitivamente o Grupo Globo em 2016.

Durante a aposentadoria, ele fez viagens pelo mundo e escreveu o livro ‘O Papel do Jornalismo sem Papel’ (Editora Matrix), a respeito das vantagens e dos perigos da comunicação digital.

Carlos Monforte na bancada do 'Bom Dia Brasil', onde o famoso telefone vermelho era usado para conversar com repórteres pelo Brasil e o mundo no começo da década de 1980
Foto: Reprodução/Memória Globo
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