A voz elegante sempre sob controle, jamais alterada.
Dar e analisar a notícia sem querer aparecer mais do que a informação.
Não tratar o entrevistado como estivessem em um julgamento público.
Assim será lembrada a atuação de Carlos Monforte no telejornalismo.
Sua morte, aos 77 anos, encerra uma carreira importante diante das câmeras.
Em 1978, ele deixou o ‘O Estado de S. Paulo’ e estreou na Globo.
Logo se destacou como repórter de rua e foi promovido a âncora de telejornal sem nunca ter comandado uma bancada.
“Foi um susto”, disse ao projeto Memória Globo.
Tornou-se um dos primeiros apresentadores da TV brasileira com a liberdade de comentar e opinar.
Esteve à frente do ‘Bom Dia São Paulo’ e, depois, do ‘Bom Dia Brasil’.
Monforte não era apenas apresentador. Exercia a função de editor-chefe, definindo as pautas.
Fez entrevistas reveladoras com militares na fase final da ditadura, ativistas do movimento das Diretas Já e candidatos da primeira eleição à Presidência após a redemocratização.
O jornalista deixou a Globo em 1992 para trabalhar com comunicação na iniciativa privada. Pouco depois, retornou como repórter especial do ‘Jornal da Globo’ em Brasília.
Em 1998, ele começou na GloboNews, onde passou por diferentes programas e chegou a apresentar o ‘Jornal das Dez’.
Deixou definitivamente o Grupo Globo em 2016.
Durante a aposentadoria, ele fez viagens pelo mundo e escreveu o livro ‘O Papel do Jornalismo sem Papel’ (Editora Matrix), a respeito das vantagens e dos perigos da comunicação digital.