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Obsessão por fama fácil é o caminho para a autodestruição

Luciano se torna um triste exemplo do que um participante do ‘BBB’ não deve fazer na tentativa de ser uma celebridade

26 jan 2022 09h17
| atualizado às 09h23
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O Luciano que se esperava não apareceu no ‘BBB’
O Luciano que se esperava não apareceu no ‘BBB’
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

“Só há uma coisa no mundo pior do que se ver transformado em alvo de rumores. É não despertar rumor algum”, escreveu o irlandês Oscar Wilde, autor de um clássico sobre a vaidade doentia, ‘O Retrato de Dorian Gray’. A obra lembra o mito grego Narciso, o rapaz que se apaixonou pela própria imagem e morreu de fome e sede após passar longo tempo olhando o próprio reflexo na água de um rio.

Essas duas referências filosóficas ajudam a compreender Luciano, o primeiro eliminado do ‘BBB22’. Ele cansou colegas de confinamento e o público com seu discurso repetitivo de ser famoso a qualquer custo. Ambicionou usar o reality show para conseguir “fama nível Beyoncé”, em suas próprias palavras. Disse querer atingir o mesmo estrelato de Leonardo DiCaprio e Cristiano Ronaldo. Perdido na ilusão e na idolatria de si mesmo, esqueceu de jogar.

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Espera-se de um participante do ‘Big Brother’ que ofereça entretenimento ao público, seja comédia ou drama, heroísmo ou vilania. Luciano sai de cena sem ter entregue nada. A obsessão em se tornar uma celebridade instantaneamente anulou o carisma, a alegria e a sensualidade vendidos pelo ator e bailarino nas redes sociais e no vídeo de sua apresentação no programa. Ficou impossível torcer por alguém tão pretensioso, enfadonho e incômodo.

O mesmo erro aconteceu anteriormente. Pessoas batalharam para entrar no ‘BBB’ a fim de atingir o sonhado estrelado, porém, diante da grande chance, não souberam o que falar nem como agir. Ficaram irreconhecíveis aos olhos de parentes e amigos. Podem ter sido vítimas de autossabotagem involuntária (Freud explica) e dos efeitos do isolamento e da convivência com rivais na competição. Realities são experimentos mentais e nem todo mundo está preparado para lidar com tal sensação asfixiante.

Quem enfim se tornou famoso pagou o ônus. Fenômeno do ‘Big 21’, Juliette Freire enfrentou uma crise existencial no ápice da visibilidade após se consagrar. Fama por fama não garante a felicidade de ninguém. Prova disso é que tantos artistas frequentam o consultório de psiquiatras e analistas e até tomam medicação para controlar ansiedade e depressão. Dois dos maiores influenciadores do País, Whindersson Nunes e Felipe Neto pediram socorro por sofrer dor na alma.

Os sedutores benefícios trazidos pela fama – aceitação social, sensação de ser especial, bajulação, experiências de prazer e luxo etc. – fazem bem ao ego, porém, não garantem a alegria de viver nem a manutenção da saúde mental. Neste momento, inúmeras celebridades se encontram em profunda solidão e tristeza, apesar da imagem bem-sucedida, da fortuna na conta bancária e dos sorrisos (falsos) nas selfies e na mídia.

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Cedo ou tarde, o famoso percebe que a vida não se resume a flashes, likes e cifrões. O escritor e dramaturgo espanhol Fernando Arrabal fez uma reflexão certeira a respeito: “A fama é um pedaço de nada que o artista agarra no ar sem saber por quê”. Agora, Luciano terá que se agarrar a algo menos frágil e fútil do que a fixação pela fama vazia que roubou dele a maior oportunidade que um anônimo pode ter na televisão brasileira.

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