Alexandre Borges analisa personagem com vício em jogo: 'Compulsão surge para preencher um vazio'

Ator está no ar como o Ulisses de Quem Ama Cuida, no horário nobre da Globo

31 mai 2026 - 04h59
Alexandre Borges interpreta Ulisses em Quem Ama Cuida
Alexandre Borges interpreta Ulisses em Quem Ama Cuida
Foto: Bob Paulino/Globo

Quem acompanha a programação está vendo uma dobradinha de Alexandre Borges. O ator está no Vale a Pena Ver de Novo como o Cadinho, de Avenida Brasil, e também estreou recentemente em um dos núcleos principais de Quem Ama Cuida. Na novela do horário nobre, ele interpreta Ulisses, um homem que, nos próximos capítulos, começará a mostrar cada vez mais a compulsão pelo jogo.

Alexandre enxerga Ulisses como um homem que se inspira no irmão, o bem-sucedido Arthur Brandão (Antonio Fagundes), mas que ainda depende financeiramente dele. "Ele tem um vazio dentro de si. Esse vazio acaba trazendo uma compulsão pelo jogo. Ele arrisca muita coisa e a gente vai ver as consequências disso", define o ator.

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Para o artista, o mais importante do papel não é discutir o jogo em si. Ele opina que jogos de azar são como álcool e cigarros, podem ser bons e divertido para algumas pessoas ao mesmo tempo em que podem acabar com a vida de outras. Por isso, Borges defende que o mais importante é debater a compulsão.

"A gente tem que falar o que é compulsão. Ela surge quando alguém tem uma necessidade de preencher um vazio, uma falta de perspectiva na vida. Algumas conseguem fazer isso com coisas mais positivas, outras vão para um lado mais negativo e destrutivo, mas estão todas em busca de preencher esse vazio. O mais importante é a gente discutir a compulsão, não o jogo em si."

Alexandre comenta que o vício de Ulisses em jogos é apenas um dos assuntos importantes levantados pela novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, que também fala muito sobre materialismo e a ambição desenfreada. O artista enxerga a história como um reflexo do mundo atual, que é bem diferente do que ele imaginava que seria.

"A gente que sonhava no século XXI com um mundo de mais paz. Tenho 60 anos e lembro que tinha muita esperança sobre isso na virada para 2000. Mesmo na pandemia, a gente queria acreditar que o mundo seria mais harmonioso."

Se no horário nobre Alexandre Borges entrega uma interpretação com uma carga dramática maior, na reprise de Avenida Brasil é o completo oposto. Ele interpretou Cadinho no sucesso escrito por João Emanuel Carneiro, um homem com três esposas e que esconde uma família da outra.

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Camila Morgado, Alexandre Borges e Debora Bloch em Avenida Brasil
Foto: Reprodução/Globo

"Adorei fazer. É um personagem muito bem-humorado, com aquelas mulheres loucas, lindas e maravilhosas. É um personagem que foi muito amado, recebi muito carinho. Gosto do humor", recorda.

O ator também comenta que, 14 anos depois, a história de Cadinho em Avenida Brasil continua conversando com a sociedade. "Acho engraçado que hoje estamos ouvindo muito mais sobre poliamor. Na época, era o MC Catra [a referência], tivemos até um encontro. É um assunto que ainda está atual", conclui.

Fonte: Portal Terra
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