‘Mulheres’ reestreia com discussão relevante, belo cenário e apresentadora à vontade

Gloria Vanique faz boa largada no desafio de comandar o ‘Mulheres’, programa tradicional com histórico de grandes comunicadoras

2 mar 2026 - 17h55
(atualizado às 18h02)

A TV aberta carece de conversas consistentes sem pressa. Aquele bate-papo que, mesmo descontraído, suscita reflexões importantes no público.

Foi o que o ‘Mulheres’ ofereceu na estreia de seu novo formato nesta segunda-feira (2). A atração vespertina da TV Gazeta, no ar desde 1980, agora está mais elegante e com conteúdo variado. O comando passou a ser de Gloria Vanique, ex-Globo e ex-CNN Brasil.

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O tema discutido com as convidadas no sofá foi a rivalidade feminina. A atriz Bianca Rinaldi rememorou os tempos de paquita da Xuxa. “Quando vinham as coisas ruins, a gente se juntava.”

Outra artista, Samara Felippo, contou que era indicada a testes de TV por amigas, apesar de existir concorrência entre elas pelo mesmo papel.

A jornalista e influenciadora Rosana Hermann ressaltou que o “sistema” não permite que uma mulher seja bonita e inteligente ao mesmo tempo, além de destacar o valor da rede de apoio para o acolhimento.

Roteirista e comediante, Beth Moreno disse que “em todos os setores da vida, há um estímulo” para que uma mulher sempre “bata de frente” com outra mulher. 

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“Por que a gente tem de procurar defeito em outra mulher?”, questionou Gloria Vanique. Atenta e carismática, ela conduziu a discussão com leveza e intervenções pontuais, respeitando o tempo de cada interlocutora. Houve escuta respeitosa, algo raro na TV abertura com ritmo alucinante. 

A diversidade racial não foi vista no grupo, mas esteve presente numa matéria sobre a relação de afeto entre uma mãe e uma filha, ambas negras, por meio do vestuário.

Gloria Vanique passou no teste de fogo na estreia do novo formato do 'Mulheres'
Gloria Vanique passou no teste de fogo na estreia do novo formato do 'Mulheres'
Foto: Reprodução/TV

Na hora da culinária, a saudosa Palmirinha Onofre, popularizada no ‘Mulheres’ a partir da década de 1990, foi homenageada com a presença na cozinha de sua neta, a chef Adriana Rosa, preparando uma releitura do ‘sonho’, doce associado à trajetória da ‘vovó do Brasil’. 

Nesse momento, a apresentadora mostrou o jogo de cintura ao rir de falhas: um bolinho que esturricou no óleo de fritura. Mais tarde, ela contornou um vazamento de áudio no estúdio.

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A pauta médica foi sobre a chegada da menopausa, com a participação do ginecologista e obstetra José Bento. Vanique exibiu desprendimento ao se colocar entre as mulheres que precisam de “receitas” para aumentar a libido na maturidade. 

A produção acertou ao usar elementos cênicos para diferenciar as fases hormonais do corpo feminino, deixando o diálogo mais interessante visualmente. A trilha sonora de fundo ajudou a dar dinamismo.

Se estava nervosa ao longo do programa, Gloria Vanique não transmitiu no vídeo. Saiu-se bem até nas ações de merchandising. Não é fácil para uma jornalista condicionada à seriedade do ‘hard news’ ter de vender panelas diante das câmeras. Disso depende a viabilidade comercial dessas atrações voltadas à mulher ou à família em geral.

A redução de tempo do quadro de comentários sobre os famosos foi um acerto. Abre-se mais espaço para assuntos de impacto na sociedade. Sem o apelo popular dos mexericos, talvez a audiência do novo ‘Mulheres’ sofra no começo. Nem sempre a qualidade editorial é refletida rapidamente nos índices aferidos pelo Ibope. Os anunciantes precisam compreender isso.

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Por fim, o ‘Mulheres’ renovado acertou também no cenário: cores fortes, como vermelho e roxo, deram energia à imagem na TV. O maximalismo, quando bem-aplicado, fica agradável de ser visto por quem está do outro lado da tela.

O bate-papo da apresentadora com convidadas sobre rivalidade feminina foi um dos pontos altos da edição
Foto: Reprodução/TV
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