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Decisão de Bolsonaro vai gerar prejuízo milionário à Globo

Canais simpáticos ao presidente também serão afetados, em menor dimensão, pela volta da propaganda de partidos

5 jan 2022 08h20
| atualizado às 08h20
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As redes de TV começaram 2022 com uma péssima notícia. Jair Bolsonaro sancionou o retorno da propaganda de partidos, extinta em 2017. Desta vez, sem compensação financeira aos canais.

Bolsonaro e o Congresso se uniram para ter mais espaço na TV
Bolsonaro e o Congresso se uniram para ter mais espaço na TV
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Antes, o espaço ocupado pelas legendas na televisão – não confundir com o horário eleitoral gratuito em ano de ida às urnas – era compensado com dedução em impostos federais.

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Agora, sem esse benefício fiscal, as emissoras serão obrigadas a ceder minutos valiosos (literalmente) de sua programação no horário nobre, entre 19h30 e 22h30, sem receber 1 centavo de contrapartida.

Para exibir a propaganda de cada partido (duração de 5 a 20 minutos por semestre, a depender do número de deputados da legenda), os canais vão perder uma fração do espaço de anunciantes no intervalo.

Menos comerciais no ar significa receita menor. Arqui-inimiga de Bolsonaro, a Globo será a maior prejudicada. A cada minuto cedido, deixará de faturar cerca de R$ 1 milhão.

Multiplique por programas de várias legendas ao longo de 1 ano. Um prejuízo relevante. Canais pró-Bolsonaro, como SBT, Record TV e RedeTV, com receitas publicitárias muitas vezes menores que a da Globo, também vão amargar perda significativa.

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A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABRATEL) emitiram nota em conjunto.

Um trecho: “A intenção legislativa atual de recriar a propaganda partidária obrigatória torna indissociável o restabelecimento do mecanismo de compensação fiscal, sob pena de confisco indevido e inconstitucional do tempo de programação e de recursos tecnológicos das emissoras de rádio e de televisão abertas”.

Essa lei apoiada pelo presidente desmonta o discurso – defendido especialmente por bolsonaristas – de que a televisão não tem mais influência determinante nas eleições diante da força crescente das redes sociais.

Outra prova desse pensamento equivocado: partidos e candidatos baseiam seus acordos para a formação das chapas nacionais justamente no tempo de TV que desejam ter em ano eleitoral como 2022.

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A propaganda on-line ganha cada vez mais importância, porém, nenhum político, veterano ou novato, dispensa a visibilidade proporcionada pelo veículo de comunicação que chega, com o sinal aberto, a 99% do território nacional.

Inaugurada em 1950, a televisão brasileira é, desde a retomada das eleições diretas após a redemocratização, o mais importante e cobiçado cabo eleitoral.

O acordo entre as lideranças do Congresso, ratificado pelo presidente, para a volta dos programas partidários, renova o status da boa e velha TV como parte imprescindível de todo projeto de poder político, independentemente da ideologia.

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