A edição do ‘BBB’ vencida por Ana Paula Renault rendeu à Globo um aumento de 144% na audiência entre pessoas de 18 a 24 anos no Globoplay em relação à temporada anterior.
O resultado merece ser comemorado. Essa faixa etária vê a TV aberta com indiferença ou desprezo. Consome pouco da programação.
No entanto, é imprescindível para o futuro das grandes emissoras, já parte do telespectador fiel envelheceu e outra fração migrou para plataformas digitais.
A renovação de público da velha televisão se faz necessária. Mais do que isso: urgente.
Atingir esses jovens por meio de um reality show no Globoplay é uma maneira de exercer influência sobre eles e, eventualmente, atrair interesse pelo sinal aberto.
Além disso, agrada aos grandes anunciantes que investem milhões na Globo e querem que seus produtos e serviços cheguem ao conhecimento desse perfil de consumidores.
A estratégia, portanto, vai além de apenas garantir bons índices de audiência imediatos. Trata-se de reposicionar a marca Globo diante de uma geração que cresceu sob demanda, habituada a escolher o que assistir, quando e em qual dispositivo.
O ‘BBB’, nesse contexto, funciona como uma ponte entre dois mundos: o da televisão linear e o do consumo fragmentado típico do streaming.
O engajamento nas redes sociais também tem papel decisivo nesse processo. O público jovem não apenas assiste, mas comenta, cria memes, mobiliza mutirões e transforma participantes em fenômenos digitais aproveitados pelo próprio canal.
Esse comportamento amplia o alcance do programa e mantém a relevância da emissora no debate cultural.