Mulheres nascidas nos anos 1960 foram socialmente pressionadas a conciliar trabalho e tarefas domésticas sem expor o desgaste, aprendendo a dar conta de tudo sozinhas e a evitar conflitos. Esse comportamento silencioso e resiliente, explicado pela psicóloga Esther Boada, é exemplificado na ficção pela personagem Elisa, vivida por Isabela Garcia em "Quem Ama Cuida", que ilustra a tendência dessa geração de reprimir emoções e priorizar integralmente as demandas familiares em vez de confrontar os outros.
"As mulheres nascidas na década de 1960 cresceram com a ideia de que tinham que ser capazes de lidar com tudo porque a sociedade lhes impunha isso", explica a psicóloga Esther Boada. A frase resume uma realidade vivida por muitas mulheres que cresceram em uma época na qual o papel feminino estava fortemente ligado ao casamento, aos filhos e aos cuidados com a casa.
Ao mesmo tempo em que conquistaram cada vez mais espaço no mercado de trabalho e independência financeira, elas continuaram sendo cobradas para assumir grande parte das responsabilidades dentro da família. Foi assim que muitas aprenderam a conciliar trabalho, casa, filhos e relacionamentos sem demonstrar o quanto essa rotina poderia ser desgastante.
Isabela Garcia vive personagem que coloca a família no centro da vida
Em "Quem Ama Cuida", Isabela Garcia interpreta Elisa, filha de Otoniel, vivido por Tony Ramos, e mãe de Adriana e Mau Mau. A personagem é apresentada pela Globo como uma mulher atenciosa e amorosa, que vive intensamente para os filhos e para a família. É justamente essa relação familiar que ajuda a aproximar a novela da reflexão proposta pela psicóloga.
Em uma das situações da trama, Elisa fica quieta diante de Otoniel quando o assunto envolve seu filho. Em vez de confrontar o pai ou expor imediatamente o que pensa, ela permanece em silêncio, comportamento que ajuda a representar como algumas mulheres foram ensinadas a evitar conflitos e guardar para si aquilo que sentem.
Por que tantas mulheres dessa gera...
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