A popstar Katy Perry detonou a administração Trump após sua canção de sucesso, Firework, ser utilizada em vídeos que simulavam ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã. A apropriação indevida, divulgada pela conta oficial da Casa Branca no TikTok, gerou uma onda de indignação na comunidade artística e reacendeu o debate sobre o uso de obras musicais para fins políticos sem o consentimento dos criadores.
A polêmica surgiu com a publicação de um clipe no TikTok, onde trechos da letra de Firework, como "Boom boom boom", serviam de trilha sonora para imagens que remetiam a ações bélicas. A legenda, "O Irã foi avisado", adicionava um tom de ameaça que contrastava drasticamente com a mensagem original da música.
A reação de Katy Perry não tardou. Em suas redes sociais, no último sábado, a cantora expressou publicamente seu descontentamento.
Estou profundamente consternada e furiosa ao ver 'Firework' sendo usada na conta do TikTok da @WhiteHouse como trilha sonora para vídeos de ataques militares. Eu não aprovei isso, não fui consultada e absolutamente não concordo com isso. Escrevi esta música para ser um hino de esperança, cura e força interior para pessoas que estão passando por seus momentos pessoais mais sombrios
A cantora, hoje em relacionamento com o ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, reforçou a incompatibilidade entre a mensagem de sua obra e a propaganda militar.
Ver uma mensagem de autoestima e elevação sendo usada como trilha sonora para destruição e violência é uma completa violação de tudo o que minha música representa. Minha música é para unir as pessoas, não para celebrar a guerra
O episódio ilustra a constante tensão entre o poder político e a liberdade artística, e como a cultura pop pode ser instrumentalizada para agendas que fogem de seu propósito original.
Apropriação e Disputas Digitais
O caso de Katy Perry não é isolado. A administração Trump já enfrentou críticas semelhantes de outros artistas. Em um cenário onde as redes sociais se tornaram palcos de embates políticos e culturais, a linha entre o uso e o abuso de propriedade intelectual se torna cada vez mais tênue, gerando debates acalorados sobre ética e direitos autorais no ambiente digital.
No mês anterior, Ariana Grande também se viu em uma situação similar. A Casa Branca utilizou sua música Bye, lançada em 2024, em um vídeo que promovia as ações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) e da Patrulha da Fronteira - órgãos fortemente criticados por suas políticas migratórias. A reação de Ariana Grande foi igualmente incisiva.
A cantora expressou seu repúdio diretamente na seção de comentários da publicação da Casa Branca, exigindo que sua obra fosse dissociada de tais campanhas. "Por favor, nunca usem minha música em relação a esse absurdo bárbaro, desumano e hediondo", escreveu Ariana Grande, deixando clara sua posição.