Vendas de vinil nos EUA ultrapassam R$ 5 bilhões pela primeira vez desde 1983

Relatório da RIAA aponta 19º ano consecutivo de crescimento do formato; Taylor Swift lidera com 1,6 milhão de cópias vendidas de seu álbum mais recente

19 mar 2026 - 08h30

O mercado fonográfico americano fechou 2025 com receita recorde de US$ 11,5 bilhões (aproximadamente R$ 59 bilhões, na cotação atual), e um número em especial chamou atenção: as vendas de vinil nos Estados Unidos superaram a marca de US$ 1 bilhão pela primeira vez desde 1983. Os dados são do relatório anual da Recording Industry Association of America (RIAA), divulgado nesta segunda, 16. O crescimento do formato físico mais nostálgico da indústria foi de 9,3% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 1,04 bilhão em receita — e marca o 19º ano consecutivo de alta.

Foto: Matt Cardy/Getty Images / Rolling Stone Brasil

A liderança do vinil em 2025 tem nome e sobrenome: Taylor Swift. O álbum The Life of a Showgirl (2025) vendeu sozinho 1,6 milhão de cópias em vinil nos Estados Unidos, impulsionado por uma estratégia agressiva de edições colecionáveis — ao todo, oito variantes do disco foram lançadas, com capas alternativas, cores de LP diferentes e conteúdos exclusivos como fotos inéditas, pôsteres e até um poema escrito pela própria artista. Algumas edições ficaram disponíveis apenas por 48 horas na loja virtual da cantora. A estratégia rendeu críticas de nomes como Billie Eilish, que já havia questionado publicamente o impacto ambiental do modelo: "Acho muito frustrante. Alguns dos maiores artistas do mundo estão lançando 40 versões diferentes de vinil só para fazer as pessoas continuarem comprando."

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No restante do top 5 de vendas em vinil, Sabrina Carpenter aparece em dois lugares: Man's Best Friend (2025) em terceiro, com 292 mil cópias, e Short n' Sweet (2024) em quarto, com 262 mil. Kendrick Lamar e seu GNX (2024) ficaram com o terceiro lugar, movendo 272 mil unidades. Billie Eilish completou o top 5 com 192 mil cópias de Hit Me Hard and Soft (2024) — prensadas em vinil 100% reciclado. Clássicos como Rumours (1997), do Fleetwood Mac, e Thriller (1982), de Michael Jackson, também figuraram no top 10.

O crescimento do vinil, no entanto, precisa ser colocado em perspectiva. Apesar do marco simbólico do US$ 1 bilhão, o formato representa menos de 10% da receita total da indústria americana. O streaming seguiu dominante, gerando US$ 9,5 bilhões — 82% de todo o faturamento do setor. As assinaturas pagas cresceram 6,8%, chegando a US$ 5,88 bilhões, com 106,5 milhões de contas ativas só nos Estados Unidos, o maior mercado de streaming por assinatura do mundo. O CD, por sua vez, segue em queda livre: gerou US$ 312,4 milhões em receita, menos de um terço do que o vinil arrecadou.

Para a RIAA, os números de 2025 refletem um consumidor que quer se conectar com a música de formas cada vez mais diversas, da praticidade do streaming à tangibilidade do vinil como objeto colecionável e experiência estética. "A música segue sendo um pilar da cultura e uma força econômica crescente para os Estados Unidos, contribuindo com US$ 212 bilhões para o PIB e sustentando mais de 2,5 milhões de empregos americanos", afirmou Mitch Glazier, presidente e CEO da entidade.

Rolling Stone Brasil
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