O trio brasiliense de rap Puro Suco lança seu terceiro álbum, "A Contribuição Milionária de Todos os Erros". Inspirado no Manifesto Pau-Brasil, o projeto de 12 faixas une rap e música brasileira com foco na vivência das ruas e identidade própria. Produzido com calma e fora das pressões do mercado por Murica, Peres e BEATDOMK, o disco destaca a pluralidade sonora e traz participações de peso como Emicida, Tribo da Periferia, Clara Lima e o sambista Douglas Germano.
Prestes a completar uma década de estrada, o trio de rap de Brasília Puro Suco lança, nesta sexta, 6, seu terceiro álbum de estúdio, A Contribuição Milionária de Todos os Erros. Sucessor de Cacau (2023), o novo trabalho dos MCs Murica e Peres em parceria com o produtor BEATDOMK propõe um mergulho profundo na vivência das ruas.
À Rolling Stone Brasil, Murica explica o significado por trás do título da obra, que foi extraído do texto modernista "Manifesto Pau-Brasil" (1924), de Oswald de Andrade.
O 'Manifesto Pau-Brasil' reivindica uma língua sem arcaísmo, uma língua que valoriza a contribuição milionária de todos os erros — nesse caso da língua, pra criar uma língua viva. E a gente está trazendo essa metáfora pro rap: é a contribuição de todos os erros que a gente cometeu que nos trouxeram até aqui. Se todos os erros nos trouxeram até aqui, foi bom errar desse jeito, e daqui pra frente vamos errar melhor.
Ao longo de 12 faixas, o projeto mescla o rap com referências da música brasileira, mas sempre olhando para o futuro. "O Tropicalismo já foi, com Caetano, Torquato e Gal. O que fazemos carrega respeito e saudosismo, mas é música feita em 2025 e 2026. A gente é rap, a gente é música brasileira, com a nossa herança melódica", pontua o MC.
Formado no Distrito Federal em 2017, o Puro Suco construiu uma trajetória autêntica, caminhando na contramão das pressões do mercado musical. Juntos, eles consolidaram a identidade da "Rataria Popular Brasileira" (nome dado ao seu disco de estreia), uma sonoridade que mescla a crueza da cultura do sample e do boombap com a riqueza rítmica da música brasileira e, mais recentemente, texturas da música eletrônica.
"Cada disco nosso demora pra sair. Nosso último disco tem três anos, porque a gente quer fazer música com atenção, música de coração, música que vem da necessidade, não de uma pressão externa", diz Murica à RS. "Nossa atenção está em cada detalhe desse álbum".
O processo criativo de A Contribuição Milionária de Todos os Erros uniu a bagagem literária de Murica, uma pesquisa minuciosa de samples por BEATDOMK e a mixagem de Peres. "Cada um traz a sua pesquisa e o seu ingrediente pro suco", resume Murica.
A capa do novo álbum é composta por cavalos de diferentes cores. O MC explica o motivo desta escolha: "2026 é o ano do cavalo", diz. Na astrologia oriental, o animal representa progresso, independência, coragem e dinamismo. "Temos um time muito bom de design, da juventude do DF, trabalhando com a gente".
Parcerias
A Contribuição Milionária de Todos os Erros aposta na pluralidade de sons e reúne parcerias diversas. Os pioneiros de Brasília Tribo da Periferia contribuem na faixa "Pato Feio", a mineira Clara Lima em "Lapada Seca" e o sambista paulistano Douglas Germano em "As Bençãos - Interlúdio".
Emicida, por sua vez, que já homenageou a "Rataria Popular Brasileira" na faixa "Vença", dividiu o palco com o Puro Suco e o se uniu a eles no single "RPB", consolida essa colaboração na faixa "7 Mil Caminhos."
"O Emicida e o Tribo da Periferia são como uma chancela pra gente, que cresceu ouvindo eles, saber que estamos no caminho certo. Nosso rap é reconhecido pelos nossos mestres e professores", celebra Murica à RS. Escute A Contribuição Milionária de Todos os Erros: