Paul McCartney lançou seu primeiro álbum solo em mais de cinco anos, The Boys of Dungeon Lane, na última sexta, 29, aos impressionantes 83 anos. O cantor tem uma longa trajetória na música: foram 10 anos com os Beatles, seguidos por mais uma década com os Wings, antes de se entregar totalmente à sua carreira solo. Desde então, ele já lançou mais de 25 álbuns de estúdio, além de compilações, trilhas sonoras e colaborações diversas.
Questionado pela NME se tem planos de se aposentar das gravações e dos palcos, McCartney deu uma resposta ambígua: "Não sei. Nunca sei, sabe?"
"Lembro-me de quando eu tinha 50 anos, meu empresário na época perguntou: 'Bem, você está pensando em se aposentar?' Eu respondi: 'Hum, acho que não.'", relembra. "Mas ele obviamente pensou: 50… o que eu entendo, porque a gente achava que 30 anos era muito velho quando tinha 20 anos. Então, 30 parecia inadequado, mas chegou, passou, e as pessoas continuaram tocando, e o público gostava da música."
McCartney apontou que existem cada vez menos oportunidades de ouvir as músicas de sua época ao vivo. "Se a música é daquele período, [os fãs] não conseguem ouvi-la ao vivo de nenhuma outra forma, então você precisa ver Neil Young ao vivo para sentir toda a essência de Neil - a essência de Neil. O mesmo acontece com muitas bandas - os Rolling Stones, os Eagles. Não há nada igual."
O cantor afirma que, apesar da idade e dos incontáveis anos de trabalho, ele continua inspirado a compor e criar novas músicas. "A satisfação criativa é simplesmente compor uma música - continua sendo a mesma satisfação de sempre. Há algo de mágico nisso", disse.
Segundo McCartney, a música entrou de surpresa em sua vida: quando estava na escola, pensava que iria se tornar professor quando crescesse. "Nunca tive a intenção de ser um cantor e compositor [...]. Mas eu entrei na banda, e isso me levou até aqui. Então, a satisfação está em poder compor uma música e, se você conseguir, a satisfação é a mesma de sempre. Algumas você consegue fazer melhor do que outras, mas ainda assim é ótimo."
Ainda é uma grande conquista sentar, digamos, com meu violão e não ter nada ali, e eu ficar improvisando, e de repente, talvez depois de três ou quatro horas, eu tenho uma música. Eu sei como ela é, escrevi a letra, e é uma verdadeira conquista. Essa ainda é uma sensação mágica para mim. Acho que essa ainda é a inspiração criativa, e espero que sempre seja.
O novo álbum de McCartney
Em clima de nostalgia, The Boys of Dungeon Lane reúne histórias nunca antes contadas, memórias pessoais do McCartney e algumas canções de amor de inspiração recente, revisitando os anos de formação que moldaram a vida do cantor e os próprios alicerces da música moderna.
O disco foi produzido por Andrew Watt, que trabalhou com nomes como Rolling Stones e Ozzy Osbourne, e ainda contém o dueto com o ex-baterista dos Beatles Ringo Starr, "Home To Us" (com vocais de apoio de Chrissie Hynde, do The Pretenders, e Sharleen Spiteri, da banda escocesa Texas.)
Segundo crítica da Rolling Stone, o disco "é um contraste revigorante com trabalhos da década de 2010, como New e Egypt Station, onde McCartney trouxe diversos colaboradores com uma pegada pop, com resultados variados. Ele parece ter aprendido que o que realmente queremos de um novo álbum solo nesta fase da sua carreira é mais McCartney." Apesar de conter canções introspectivas, "a energia vital de McCartney permanece intacta, e a alegria que ele encontra em fazer música transparece em cada mudança de acorde".