Soou coerente, no geral, a seleção de bandas para o lineup do Monsters of Rock 2026. Havia conexão entre o Guns N' Roses, atração principal, e a maior parte dos escalados, seja por eles terem sido influenciados pelo Lynyrd Skynyrd, contemporâneos de hard rock do Extreme ou servirem de referência para Halestorm, Dirty Honey e, vá lá, Jayler.
O peixe fora d'água era Yngwie Malmsteen. Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, o sueco de 62 anos se apresentou no início da tarde de sábado, 4, no Allianz Parque, em São Paulo, como o único nome do lineup realmente ligado ao metal — neste caso, o neoclássico. Mesmo ciente da abordagem mais "rock clássico" do festival, ele não adaptou em nada a sua apresentação, naturalmente difícil de se absorver e digerir.
A maioria das mais de 15 músicas tocadas foi apresentada em trechos. Yngwie não concluiu nem mesmo a clássica "Rising Force", canção de abertura. Além disso, apenas ela e o encerramento com "I'll See the Light Tonight" tiveram vocais do tecladista sérvio Nick Marino, enquanto o próprio Malmsteen — que está um pouco longe de ser um grande cantor — assumiu o microfone em momentos pontuais, a exemplo de "No Rest for the Wicked" e "Fire and Ice". De resto, quase tudo instrumental.
Algumas passagens cativam, como as quatro músicas acima citadas, a forte "Now Your Ships Are Burned", a curiosa "Baroque & Roll" e as históricas instrumentais "Black Star" e "Far Beyond the Sun", esta última com trecho de "Bohemian Rhapsody", do Queen, ao final. Também gerou reações uma versão encurtada de "Smoke on the Water", do Deep Purple.
Fora disso, não convenceu. Solos intermináveis e malabarismos pouco agregadores à performance tornaram o espetáculo, na maior parte do tempo, entediante. Era como se a plateia estivesse escutando a mesma música o tempo todo. Muito exibicionismo, pouca nuance.
Curioso, pois Malmsteen segue como um dos grandes da guitarra. Sua técnica baseada em muita velocidade, arpejos e vibrato agressivo se soma a um timbre característico como se fosse o de um violino entorpecido, compondo uma sonoridade única. Já um sexagenário, ele continua a entregar uma execução perfeita no instrumento.
Mas isso é muito pouco, especialmente para quem já trabalhou em prol da melodia e, como se sabe, pode oferecer mais. Já faz um tempo que Yngwie pareceu ter desistido de entregar um show realmente interessante para além de seu séquito de fãs — cada vez menor justamente devido às apresentações estarem maçantes. Abdicar de muitas de suas canções mais populares como "You Don't Remember, I'll Never Forget", "Heaven Tonight" e "Dreaming (Tell Me)" é o sinal mais claro disso.
Ainda assim, ninguém deixou de aplaudir Malmsteen por seu espetáculo de muita técnica. Só não foi o suficiente para tirar dele o título de show menos interessante do Monsters of Rock 2026.
Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 — setlist
- Rising Force
- Top Down, Foot Down
- No Rest For The Wicked
- Soldier
- Into Valhalla
- Baroque & Roll
- Relentless Fury
- Now Your Ships Are Burned
- Wolves At The Door
- Paganini's 4th
- Adagio
- Far Beyond The Sun
- Bohemian Rhapsody [Queen]
- Fire And Ice
- Evil Eye
- Smoke On The Water [Deep Purple]
- Trilogy (Vengeance)
- Badinere
- Solo de guitarra
- Black Star
- I'll See The Light Tonight
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