O espólio de Quincy Jones vende catálogo, incluindo participação em clássicos de Michael Jackson

O acordo com a HarbourView Equity Partners também abrange os direitos de publicação e gravação de Jones, além de composições como Soul Bossa Nova e o tema de Sanford and Son

13 mar 2026 - 09h00

A família de Quincy Jones fechou um acordo de aquisição com a HarbourView Equity Partners que vai abranger grandes parcelas do catálogo lendário de Jones, incluindo a participação dele em três álbuns clássicos de Michael Jackson.

Foto: Tom Cooper/Getty Images para Global Down Syndrome Foundation / Rolling Stone Brasil

O acordo cobre a música gravada e os direitos de publicação de Jones, incluindo o interesse dele não apenas nos três álbuns de Jackson que ele produziu (Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987)), mas também a composição marcante dele, "Soul Bossa Nova" (1962), e o sucesso de 1980 de George Benson, "Give Me the Night". Também estão incluídos direitos auxiliares de Jones sobre outros ativos, como a participação dele em The Fresh Prince of Bel-Air (1990), no qual foi produtor executivo.

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"Nosso pai não apenas criou sucessos, ele construiu plataformas que moldaram a cultura na música, no cinema, na mídia e na tecnologia", disse Quincy Jones III (QD3). "Ele acreditava que a inovação era uma ferramenta criativa e a abraçou cedo, desde participar do conselho do MIT até expandir os limites do que a narrativa poderia ser. Ele tinha uma grande paixão por capacitar futuras gerações de pessoas criativas e via a tecnologia e a inovação como um meio, se usadas de forma ética".

"Ele é uma força onipresente em espaços criativos", disse à Rolling Stone a presidente-executiva da HarbourView, Sherrese Clarke. "Temos várias obras icônicas no nosso portfólio, mas adicionar alguém assim à maneira como entendemos nosso trabalho como guardiões e detentores de cânones de obras para futuras gerações parecia uma bênção". (A HarbourView também administra catálogos de Kelly Clarkson, Christine McVie, do Fleetwood Mac, T-Pain, Kane Brown, James Fauntleroy e outros.)

"Obviamente, temos bons termos econômicos [em relação ao mercado]. Fizemos tudo o que deveríamos fazer pela família, e eles fizeram o certo conosco'," continuou Clarke. "Mas, para mim, é mais uma honra ter a responsabilidade de trabalhar tão de perto com essa família para seguir exaltando o legado dele".

Jones, que morreu em novembro de 2024 aos 91 anos, foi uma das figuras mais prolíficas e importantes da música do século 20. Ao longo de sete décadas, ele trabalhou como trompetista, compositor, arranjador, produtor, maestro e responsável por trilhas sonoras. Como a filha dele, a atriz Rashida Jones, afirmou em um comunicado: "Muito antes de alguém falar em 'multiplataforma', ele já estava construindo pontes e conectando os pontos entre música, cinema, televisão, publicação, tecnologia e cultura, criando colossos icônicos como Thriller (1982), The Color Purple (1985), The Fresh Prince of Bel-Air (1990) e Vibe".

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A aquisição do catálogo reflete essa amplitude, assim como o legado do trabalho dele. Ela cobre, por exemplo, a participação de Jones como compositor em "Good Life", de Kanye West, por conta do trecho de "P.Y.T"., de Jackson, que Jones coescreveu com James Ingram. Da mesma forma, "How Do U Want It", de Tupac, faz parte do acordo por usar a música de 1974 de Jones, "Body Heat".

O acordo também inclui os temas que Jones compôs para o drama policial de sucesso Ironside (1967) e para a série cômica clássica Sanford and Son (1972). Clarke destacou isso como um dos aspectos mais singulares da aquisição do catálogo de Jones e como o trabalho dele moldou a nossa consciência coletiva de cultura pop.

"Crescendo, a abertura de Sanford and Son (1972) era icônica", disse Clarke, sem conseguir evitar cantarolar um pouco da alegre melodia de saxofone. "Posso não me lembrar de cada episódio, mas eu conheço aquela abertura. É tão maravilhoso fazer parte desse legado cultural".

Quanto aos três álbuns de Jackson, Jones provavelmente recebia uma taxa básica de 10% de royalties desses discos, um número nada insignificante considerando que, juntos, venderam mais de 100 milhões de cópias no mundo. (Embora, em geral, esse tipo de número ficasse escondido em um contrato privado, uma disputa entre Jones e o espólio de Jackson por supostos royalties não pagos na década de 2010 trouxe alguns detalhes à tona.) As nuances da participação de Jones no catálogo de Jackson também não trouxeram complicações específicas para o acordo, disse Clarke, e o espólio de Jackson não participou da negociação.

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Daqui para frente, a HarbourView e o espólio de Jones vão continuar trabalhando em iniciativas ligadas ao catálogo, bem como ao nome, à imagem e à semelhança de Jones, embora Clarke tenha se recusado a dar detalhes sobre projetos futuros. Ainda assim, a HarbourView vai sediar um evento de tributo a Jones em sexta, 13, em Los Angeles, antes do Oscar.

"Nosso pai era infinitamente curioso e sempre estava à frente do seu tempo", disse Rashida. "O que o tornava extraordinário era a capacidade de enxergar adiante e reunir as pessoas, as ideias e os sons certos para criar obras atemporais, de novo e de novo. Como filhos, nossa responsabilidade é proteger não apenas o catálogo, mas o espírito e o amor por trás dele".

Rolling Stone Brasil
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