Nasi, vocalista do Ira!, lançou a música "Corpo Fechado", primeiro single e videoclipe de do álbum solo nAsI Artificial Intelligence. No disco, o cantor utiliza inteligência artificial para retrabalhar músicas de seu repertório.
Lançada originalmente em 2006, no álbum Onde os Anjos Não Ousam Pisar, "Corpo Fechado" remetia aos clássicos da gravadora Stax. Agora, ganha uma nova roupagem e se transforma em um samba da Velha Guarda, ao estilo Noriel Vilela, inspirado em grandes bambas do Partido Alto.
Confira abaixo.
https://www.youtube.com/watch?v=BV7URX1SZKc
Não é correto dizer que as versões de nAsI - Artificial Intelligence foram criadas por IA, porque elas já existiam. No entanto, o artista admite que colocou softwares para desenvolver versões diferentes a partir de material prévio gravado pelo próprio artista anteriormente.
Ao revelar seu novo projeto em entrevista a Julio Maria, do jornal Folha de S. Paulo, Nasi é sincero ao já prever controvérsia:
"Alguns vão jogar pedras, mas não estou nem aí."
Seis músicas já estão prontas, dentre elas versões para "Corpo Fechado", "Feitiço na Rua 23", "Ogum" e "Alma Noturna". Todas foram lançadas por Nasi em algum momento de sua carreira.
Nasi e a inteligência artificial
Questionado se usar IA para criar um disco não seria atuar em detrimento da arte e do próprio ganha pão dos músicos, Nasi argumenta:
"Não sou contra o pagamento de direitos e estou pronto para fazer isso se alguém reclamar, mas o que a IA está fazendo é o que sempre fizemos quando dizíamos: 'Vamos compor um rock tipo Led Zeppelin? Vamos fazer um blues tipo Chicago?' O Ira! está cheio de referências do The Who. Você acha que eles pensaram em nos processar por isso?"
Gravações reais
As únicas gravações reais do álbum foram feitas pela cantora e guitarrista Nanda Moura e pelo baixista do Ira!, Johnny Boy, na guitarra, além de dois instrumentistas que tocaram violoncelo e trompete.
Nasi diz que é possível perceber a diferença, pois em alguns momentos as partes de IA soam "perfeitas demais". Ele admite que existe o risco de "desumanizar a canção e torná-la robótica". No entanto, se mostra satisfeito com o resultado e afirma:
"O ideal seria a mistura entre IA, arranjadores e músicos, todos trabalhando juntos."