TMDQA! Entrevista: Adrian Smith fala sobre Smith/Kotzen, Bangers Open Air e memórias do Iron Maiden no Brasil

Guitarrista estará no país em breve com o Smith/Kotzen, seu projeto ao lado do também icônico Richie Kotzen O post TMDQA! Entrevista: Adrian Smith fala sobre Smith/Kotzen, Bangers Open Air e memórias do Iron Maiden no Brasil apareceu primeiro em TMDQA!.

8 abr 2026 - 12h32
(atualizado às 13h35)

Com uma carreira mais do que consolidada através de seu trabalho no Iron Maiden, o guitarrista Adrian Smith poderia aproveitar o tempo entre turnês e compromissos com uma das maiores bandas de Heavy Metal do planeta para descansar. Ao invés disso, resolveu criar outro projeto de sucesso, se unindo com o também icônico Richie Kotzen, conhecido por seu trabalho solo e também por bandas como Poison, Mr. Big e The Winery Dogs.

Assim surgiu o Smith/Kotzen, um projeto despretensioso que mostra a força e qualidade inquestionável dos músicos, logo ganhando vida própria e agora confirmado para fazer sua estreia no Brasil com um show no Bangers Open Air 2026, festival que acontece no Memorial da América Latina nos dias 25 e 26 de Abril (saiba mais aqui).

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Com formação completada por uma dupla brasileira - a baixista Julia Lage e o baterista Bruno Valverde - e uma sonoridade que explora desde as raízes do Blues até elementos do Metal, o Smith/Kotzen tem uma relação especial com o nosso país, e não à toa fará seu maior show da carreira até agora por aqui.

Quem contou isso foi o próprio Adrian Smith em uma entrevista exclusiva ao TMDQA!, onde falamos também sobre o disco mais recente Black Light/White Noise, os planos para o futuro, influências e até histórias curiosas envolvendo o Brasil e figuras como Ronaldo Fenômeno.

Confira o papo na íntegra a seguir!

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TMDQA! Entrevista Adrian Smith

TMDQA!: Oi, Adrian! Como você está? É um prazer bater esse papo contigo, e temos muito o que falar sobre o Smith/Kotzen, um projeto que tem ganhado cada vez mais vida e, pelo que eu li, começou através de jams orgânicas, algo mais caseiro, mais íntimo pra vocês. Minha pergunta é: em que momento vocês dois perceberam que essas ideias tinham potencial para se tornar uma banda propriamente dita?

Adrian Smith: Olá! Bom dia, boa noite, ou o que for por aí. [risos] Bom, eu tinha um estúdio - essa casa pegou fogo [nos incêndios de Los Angeles], mas eu tinha um estúdio e, sabe, eu costumava receber amigos, tinha todo tipo de gente tocando. E o Richie e eu tocamos, e a minha esposa foi quem sugeriu, "por que vocês não escrevem juntos?".

Eu conhecia o trabalho solo do Richie, sua carreira solo, e sempre achei que ele era incrível. Eu gostava do que ele fazia, sabe, e eu amava esse elemento bluesy, cheio de alma do seu jeito de tocar e cantar e compor. É algo que eu gostaria de explorar, porque eu sempre tive um ponto fraco pelas coisas dos anos 70, tipo Free, Deep Purple, essas coisas. Foi isso que me fez ficar apaixonado pela música em primeiro lugar!

Então, eu sempre tive isso, e aí nós nos juntamos e escrevemos algumas músicas, e deu tão certo que virou um álbum e, daí pra frente, foi uma bola de neve.

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TMDQA!: É curioso porque as "carreiras principais" de vocês, por assim dizer, têm pegadas bem diferentes. Mas como você disse, talvez vocês dois tenham vindo meio que do mesmo background musical, né, com essas coisas do Rock dos anos 70… Foi isso que gerou uma conexão entre vocês?

Adrian: Bem, o Richie é bem mais novo do que eu. Mas ele é meio que, musicalmente, uma alma velha. [risos] Quer dizer, ele me contou que quando era criança curtia o Maiden, quando era muito pequeno, sabe, Number of the Beast e tudo mais.

Mas ele na verdade começou a tocar guitarra com apenas oito anos. Então isso o leva ainda mais para o passado, e ele tem um gosto musical muito, muito amplo, indo para o jazz, soul, blues, todas essas coisas, além do hard rock.

Então é isso que a gente faz. Quer dizer, eu gosto de buscar inspiração nas coisas com que cresci, mas acho que o segredo do que a gente faz é pegar essa inspiração e tentar torná-la relevante para os dias de hoje. Acho que o que a gente faz é bem atual; os refrães são melódicos, então você pode ter um riff sujo, pesado, cheio de blues, mas aí você tem um refrão melódico. E, pra mim, melodia é algo meio que atemporal. Ela resiste ao teste do tempo. Se você tem uma boa melodia e uma boa música, acho que vai envelhecer muito bem, é isso que estou tentando dizer.

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Então, eu não faria isso se fosse apenas para reciclar coisas antigas. Mas estamos pegando tudo isso e tentando fazer do nosso jeito, e tem essa coisa dos dois vocalistas, sabe. Os dois cantam, e isso é diferente. É ótimo, é divertido. Funciona de verdade.

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TMDQA!: Nessa turnê, vocês estão viajando com uma "cozinha" brasileira, com a Julia Lage no baixo e o Bruno Valverde na bateria. Queria falar um pouco sobre isso, especialmente sobre o envolvimento do Bruno - como foi? E como tem sido tocar com eles? Já tentaram tocar um pouquinho de música brasileira? [risos]

Adrian: Sim, a gente tem uma pequena jam de samba nas passagens de som e tudo mais! [risos] Mas, então, obviamente, a Julia Lage é casada com o Richie, e envolvemos a Julia porque nós - há uns quatro anos atrás, estávamos fazendo algumas datas e estávamos testando uma seção rítmica e tocamos com várias pessoas bastante conhecidas, sem citar nomes, e estava soando bem.

Mas quando a Julia tocou, acrescentou algo muito, muito rítmico e musical, e adicionou uma espécie de outra dimensão às músicas. Pensei: isso é muito bom. E acho que… não me lembro se foi o Richie, a Julia, ou os dois que disseram: por que não tentamos o Bruno?

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E o Bruno é, tecnicamente, um dos melhores bateristas que existem por aí. Ele tocou com a gente e foi fantástico. Ele e a Julia tocando juntos, simplesmente funcionou de imediato. Então, é, eles são ótimos para tocarmos juntos e fazem jus e muito mais às músicas, sabe. Eles permitem que eu e o Richie façamos a nossa coisa, sabe.

TMDQA!: E, bom, o Brasil é um lugar bem familiar pra você, né? Com o Maiden, você já esteve aqui tantas vezes! E é incrível, acho que é uma relação muito boa - nós amamos vocês, vocês nos amam de volta, a gente sente isso. Acho que isso te ajuda também a tocar com músicos brasileiros, né? Mas o que queria perguntar é: você tem alguma memória favorita das suas visitas ao Brasil?

Adrian: São tantas memórias do Brasil, mesmo. Os fãs são sempre fantásticos, são tão apaixonados pela música, e nós conseguimos sentir isso no palco. Nós temos uma - com o Maiden, sabe, nós temos uma relação com fãs em todo lugar, mas no Brasil sempre foi um pouco especial, sempre foi um pouco apimentado, a reação é incrível, sabe, e por isso estamos sempre voltando.

São tantas memórias do Brasil. Eu acho que a última vez que eu estive em São Paulo - eu sou muito fã de tênis, e eu acabei jogando tênis com o Ronaldo, o R9 [Fenômeno]. Ele foi demais, foi inacreditável pra mim ter tido essa oportunidade. Nós jogamos tênis! Foi incrível, incrível.

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TMDQA!: E quem ganhou?

Adrian: Ah, eu não lembro. Vou dizer que não lembro. [risos] Estávamos jogando de dupla de todo jeito. Mas infelizmente ele não conseguiu ir ao show [depois], espero que ele apareça em um dos próximos.

Isso foi emocionante demais porque eu sou um grande fã de futebol, e acho que isso do futebol também sempre está ao fundo [da relação com o Brasil]. O Maiden é uma banda de fãs de futebol - não todos nós, mas a maioria gosta. É algo que também temos em comum.

TMDQA!: Não à toa, o Eddie virou mascote do Vasco…

Adrian: Vasco da Gama! É, isso mesmo.

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TMDQA!: Olhando agora especificamente para o show do Smith/Kotzen no Bangers Open Air, acho que é algo curioso porque, sempre que você veio pra festivais aqui, mesmo o Rock in Rio e coisas do tipo, são festivais com outros tipos de bandas, enquanto o Bangers tem uma pegada bem mais específica para o Rock e Metal. São plateias diferentes, né? Acha que isso traz algo diferente pra vocês?

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Adrian: Boa pergunta. Bom, sabe, nós fazemos o que fazemos e vamos só esperar que eles gostem. Eu acho que vai traduzir bem, acho que independente de ser Metal ou Rock ou Hard Rock, é sobre o espírito e a alma da coisa, sabe? E se você está ali em cima fazendo algo no que você acredita, a esperança é de que vai atingir as pessoas.

Eu estou bem empolgado, e o Bangers será o maior festival - aliás, o maior show que já fizemos como Smith/Kotzen, então estou bem empolgado com isso.

E o Bruno vai tocar com o Angra mais tarde, então temos brincado que o Bruno vai ser nosso chefe. [risos] Ele que manda, afinal ele é o headliner! [risos] Veremos, espero que ele não seja tão duro conosco.

TMDQA!: [risos] Muito bom. Adrian, a gente tem ouvido falar que o Iron Maiden terá um ano mais tranquilo em 2027, sem turnês… com esse tempo a mais, o que eu sei que é uma raridade pra vocês, você já tem algum plano específico em mente? A ideia é trabalhar mais com o Smith/Kotzen, tentar algum projeto diferente, ou só descansar mesmo?

Adrian: Tudo indica que vamos fazer algumas datas por aí em 2027 [com o Smith/Kotzen] porque, como você disse, o Maiden vai estar de férias e eu gosto de me manter ocupado. Não gosto de ficar muito à toa; eu gosto de ser criativo, de ser produtivo. Acho que todo mundo é assim, na verdade, então certamente estaremos por aí com o Smith/Kotzen no ano que vem.

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TMDQA!: Queria saber sobre o processo de composição do Smith/Kotzen. Você falou muito sobre as melodias, como elas se conectam com os riffs… quando vocês estão nesse processo, há um pensamento sobre como isso vai se traduzir para a performance ao vivo? Ou vocês deixam fluir e depois se preocupam com isso?

Adrian: Essa pergunta é muito boa porque a forma que escrevemos é: eu e Richie em uma sala, sem produtor, sem banda, sem engenheiro [de som]. Claro, o Richie faz a engenharia, nós mesmos produzimos o disco. Mas começamos com uma ideia básica e desenvolvemos a partir daí, e isso vira o que você ouve no disco.

Mas, no fundo, como isso é criado em um estúdio, eu fico pensando: "será que vai funcionar ao vivo?". Mas eu tenho que dizer que, até agora, tudo que nós escrevemos funcionou muito bem ao vivo, e a gente já testou algumas das novas músicas na estrada esse ano - fizemos 25, 27 shows, algo assim, e elas vão se desenvolvendo conforme você pega a estrada; você pode mudar uma coisa ou outra.

Isso é algo que é bem diferente do Maiden, porque ali não podemos mexer em nada no meio do caminho. Temos as deixas de backdrops, de iluminação e tudo mais, mas Richie e eu podemos mexer nas coisas, deixá-las maiores…

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O Richie gosta muito de improvisar, e eu estou começando a curtir mais. Não é muito a minha praia! Mas, é, tudo tem se traduzido muito bem para os palcos. Acho até que isso eleva as composições.

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TMDQA!: Estou bem curioso para ver isso! Pra fechar, nós temos um quadro em que pedimos para você escolher 5 discos que mudaram sua vida. Você topa participar?

Adrian: Sim, sim, é bem fácil na verdade! Acho que o primeiro álbum foi o Machine Head, do Deep Purple. Acho que quando eu tinha uns 15, 16 anos, minha irmã mais velha tinha uma cópia dele e eu só meio que peguei, olhei, e coloquei pra tocar. Aí fiquei: "Uau, eu quero fazer isso", sabe?

Outro álbum é o Free Live, do Free, com o Paul Rodgers, Paul Kossoff, novamente, Anos 70, uma influência massiva. Aí tem o Thin lizzy, Jailbreak, sabe, incrível! Tem o Humble Pie, outro disco ao vivo - eu amo discos ao vivo - o de Fillmore. Basicamente é isso. Acho que pra fechar, dá pra colocar o UFO, com Strangers in the Night. Michael Schenker!

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Foram tantos, mas naquela época, sabe, quando você está muito aberto às coisas novas, no final da adolescência, a música entra nos seus ouvidos e no seu sangue, sabe? E para mim, pelo menos, isso meio que mudou… bem, mudou a minha vida, de verdade. E, felizmente, eu fui capaz de fazer isso como uma carreira.

TMDQA!: Sensacional, Adrian! Pessoalmente, me identifico muito com isso e o Iron Maiden - foi o segundo show que assisti na minha vida e me marcou demais especialmente porque vocês vieram na minha cidade, Brasília, que nem sempre está na rota de shows. Já os vi várias vezes depois, mas essa sempre vai ser especial. Obrigado por isso e pelo seu tempo de hoje!

Adrian: Que demais, o prazer é meu. Até mais!

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