Manger Cadavre? supera "roubadas do underground" e celebra 15 anos como referência na música extrema brasileira

A banda vai comemorar a marca com uma turnê pelo Brasil O post Manger Cadavre? supera "roubadas do underground" e celebra 15 anos como referência na música extrema brasileira apareceu primeiro em TMDQA!.

10 abr 2026 - 12h12
Foto por Dani Moreira
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Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

Existe uma ideia bastante difundida no underground de que sobreviver já é, por si só, uma vitória. No caso do Manger Cadavre?, essa máxima ganha contornos ainda mais claros: são 15 anos de estrada, centenas de shows e uma consistência que poucas bandas brasileiras da música extrema conseguem sustentar.

Em meio à turnê que comemora essa marca, o grupo, que foi um dos cinco finalistas da edição 2025 do Prêmio TMDQA! na categoria Melhor Disco de Metal com seu Como Nascem os Monstros, já mira o futuro e trabalha nas composições do quinto álbum para 2027.

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Ao longo desse tempo, o Manger com seu Death Crust, Hardcore Crust ou qualquer outra nomenclatura que os fãs passaram a identificar no som da banda, nunca ficou parado por mais de dois meses. Para quem atua na escola do Do it Yourself, fazendo tudo com os próprios recursos, isso diz muito.

A frequência de lançamentos também chama atenção porque a banda mantém uma regularidade que muitas vezes falta até em projetos com estruturas muito maiores, equilibrando a entrega de álbuns, EPs e splits.

Outro ponto que sempre destacou o Manger foi a decisão de colocar a voz de uma mulher na linha de frente. Com Nata de Lima berrando no microfone, a banda se firmou como um dos expoentes de representatividade dentro da música extrema nacional — algo que ainda pede posicionamento, mas que há alguns anos era ainda mais raro.

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Sair do interior de São Paulo, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e chegar à Europa tocando uma música completamente fora da rota comercial é uma conquista para poucos. No Brasil, o grupo já percorreu praticamente todas as regiões, construindo uma base fiel e conquistando novos ouvintes por onde passa.

A trajetória vira celebração

A banda completa 15 anos fazendo aquilo que sempre fez de melhor: pegando a estrada.

A turnê especial de aniversário já está em andamento, deve passar por mais de 30 cidades até o fim do ano e inclui destinos inéditos para o grupo, como Manaus, Volta Redonda, Santa Maria e Varginha. O repertório mistura músicas do disco mais recente com faixas antigas que ajudam a contar essa história construída à base de quilômetros rodados e esforço próprio.

Acompanhe as datas da tour no perfil da banda no Instagram.

Uma história forjada na estrada

Fundado pelo baterista Marcelo Kruszynski, o Manger Cadavre? passou por algumas encarnações ao longo dos anos. No início, era um sexteto — formação que durou apenas o primeiro ano de atividade.

A atual e terceira formação está consolidada há seis anos e reúne, além de Nata e Marcelo, o guitarrista Paulo Alexandre e o baixista Bruno Henrique. Antes disso, a banda contou por quase uma década com os músicos Jonas e Marcelinho, fase importante para consolidar o nome do grupo no circuito underground.

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Em quinze anos de atividade, são mais de 340 shows, média de 22 apresentações por ano. Nesse caminho, o grupo passou por turnês em todas as regiões do Brasil, além de viagens pela América do Sul e Europa.

Entre os momentos marcantes estão a tour com o Extreme Noise Terror, em 2017, apresentações no Setembro Negro Festival, Abril Pro Rock e Obscene Extreme Festival, na República Tcheca, o maior fest do mundo dedicado às vertentes mais cruas e extremas do metal, além de shows ao lado de Ratos de Porão e Napalm Death.

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Faça-você-mesmo ou morra tentando

Mesmo sob tantas conquistas, a essência do Manger Cadavre? permanece sendo o circuito independente, o faça-você-mesmo e a construção coletiva da cena. Essa postura ajudou a banda a construir uma base fiel sem deixar de atrair novos ouvintes.

O reconhecimento também vem da crítica especializada ao longo dos anos. Em 2025, o Manger apareceu em diversas listas de melhores do ano com o álbum Como Nascem os Monstros, incluindo o já citado Prêmio TMDQA!, reforçando a pertinência do trabalho na música pesada nacional.

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A identidade visual da banda sempre acompanhou essa dedicação. O primeiro EP teve arte de Lobo Ramirez, responsável também pelo logo do grupo. Depois vieram capas assinadas pelo ex-guitarrista Marcelinho até o disco AntiAutoAjuda. Já os trabalhos mais recentes contaram com artistas convidados: Decomposição foi assinado por Wendell Araújo; Imperialismo, por Rafael Bueno e Como Nascem os Monstros por Bárbara Gil.

Resistência, constância e trabalho duro

Figura central dessa trajetória, Nata de Lima reflete sobre o peso do tempo dentro de um circuito conhecido pelo intensidade:

"Envelhecer nesse circuito pesa bastante, porque o corpo pede arrego. O meu tem pedido neste último ano, mas ainda busco encontrar um equilíbrio e seguir. Seria infeliz se não estivesse vivendo a vida que tenho hoje. São 15 anos em que a vontade de criar som e tocar, mesmo com todas as roubadas e dificuldades, continua a mesma."

Para o guitarrista Paulo Alexandre, que entrou na atual formação há seis anos, a banda representou uma virada pessoal:

"A minha entrada no Manger mudou a minha vida. Foi a realização do que eu queria como guitarrista: compor, gravar e sair para tocar. Já tive outras bandas, mas em nenhuma encontrei pessoas tão dispostas a viver por essa paixão que é a música pesada."

O baixista Bruno Henrique também destaca o peso simbólico de integrar um grupo que ele admirava antes de fazer parte:

"Estar na história da banda é uma loucura para mim. É uma banda que ouvi muito quando era mais novo e que, nos últimos seis anos, mudou a minha vida. Poder espalhar arte, fortalecer a luta de classes e denunciar o grande capital é algo muito especial."

Já o fundador Marcelo Kruszynski celebra o alcance conquistado pelo grupo:

"É gratificante ver a cultura underground chegando em lugares onde nunca imaginamos. As trocas, as amizades pelo Brasil, pela América Latina e pela Europa. Ver nossas músicas em mídia física com a ajuda de selos que acreditam no mesmo que a gente é algo surreal."

Manger dá o caminho das pedras para outras bandas

Mais do que cantar sobre cooperativismo, o Manger Cadavre? coloca essa filosofia em prática, mostra para outras bandas o caminho das pedras dentro do underground e prova que longe das grandes estruturas da indústria existe a chance de sobreviver com estratégia.

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"Sempre tem banda me perguntando como é que a gente consegue custear lançamentos e turnês. Resumindo: merch e planejamento", explica Nata.

Para financiar gravações, videoclipes e outros custos, a banda aposta fortemente no merchandising. Camisetas, patches, bottons e, principalmente, material físico fazem a diferença no caixa.

"Temos lançado todos os nossos materiais em CD, além de dois álbuns e um EP em vinil — o último, inclusive, já está em pré-venda. Vemos o digital como divulgação do nosso som, mas financeiramente falando, é o material físico que realmente reverte valores significativos para a banda", ela conta.

Outro pilar essencial é o apoio direto dos fãs. Durante a pandemia, por exemplo, o grupo recorreu ao financiamento coletivo para viabilizar o álbum Decomposição e mais de 700 pessoas contribuíram.

Já para viabilizar a turnê europeia, a solução veio novamente da criatividade e da relação próxima com o público: vendas de merch e até uma rifa da coleção pessoal de Nata, que incluía CDs, fitas K7 e discos de vinil do Napalm Death.

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"Mas, para a minha surpresa, o ganhador recusou o prêmio da coleção, pedindo para trocar por material do Manger Cadavre? mesmo", relembra.

Nas estradas, a lógica cooperativista se mantém. As turnês nacionais — e até uma pela América Latina feita por terra — são estruturadas com uma sequência grande de datas. Isso permite diluir custos de deslocamento e tornar os shows mais viáveis.

"Dessa forma, temos nossas turnês pagas, recebemos, os produtores conseguem realizar eventos com custos mais baixos e o público acessa ingressos a preços justos. É um ciclo virtuoso que só quem está no underground aceita fazer", diz Nata.

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