SZA critica IA após descobrir que sua obra foi usada para treinar modelos musicais

Descoberta de mais de 200 faixas usadas em treinamento de modelos de música revolta a artista, que intensifica críticas sobre ética e impacto social da tecnologia

23 jun 2026 - 15h11
SZA critica IA após descobrir que sua obra foi usada para treinar modelos musicais
SZA critica IA após descobrir que sua obra foi usada para treinar modelos musicais
Foto: The Music Journal

A cantora SZA elevou o tom de suas críticas à Inteligência Artificial (IA) após uma descoberta chocante: mais de 200 de suas composições, algumas delas supostamente inéditas, foram utilizadas para treinar sistemas de geração musical sem qualquer tipo de consentimento.

A revelação incendiou as redes sociais e reacendeu o debate sobre direitos autorais e ética na era digital.

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A artista, conhecida por hits como Kill Bill, não poupou palavras ao expressar sua indignação. Em uma série de publicações explosivas nos Stories do Instagram, SZA direcionou sua fúria não apenas à tecnologia em si, mas também a colegas músicos que, segundo ela, apoiam essa "degeneração".

"Acabei de verificar e a IA musical treinou com 238 das minhas músicas. Tenho certeza de que algumas são inéditas. Se você é músico e apoia essa ma degenerada? Você é nojento e NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA ME DIZER PARA TORNAR ISSO ACEITÁVEL.

A postura de SZA não é recente. Desde o ano passado, a cantora tem se posicionado abertamente contra o avanço descontrolado da IA na música, chegando a declarar que se sente "em guerra" contra a tecnologia. Sua preocupação se aprofunda na percepção de que a IA impacta desproporcionalmente artistas negros.

Em entrevista à revista i-D, a voz por trás de Save the Day detalhou seu desconforto: "Sinto que estou em guerra por causa da IA. "

A artista expressou seu desapontamento com a qualidade e o teor do conteúdo gerado por IA, que muitas vezes reproduz estereótipos. "Por que estou ouvindo covers de IA de Olivia Dean, quando Olivia Dean acabou de sair? Ela nem consegue coletar os streams. Também estou realmente ofendida com o tipo de música negra que está saindo da IA. Música estranha, estereotipada de luta", desabafou.

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Para SZA, a questão vai além da mera substituição de trabalho humano; ela critica o "anti-intelectualismo" e a busca por soluções fáceis que a IA representa, em detrimento da complexidade e da experiência humana na criação artística.

Além das questões autorais e criativas, SZA também tem levantado discussões sobre o impacto ambiental e social da IA. No verão passado, a cantora conclamou seus fãs a pesquisarem sobre o consumo energético e a poluição gerada pela tecnologia. Ela destacou as consequências negativas em comunidades marginalizadas, citando o exemplo de cidades como Memphis, que estariam sofrendo os efeitos de novos sistemas de IA.

"A IA não se importa se você vive ou morre, eu prometo. HÁ UM PREÇO PARA A CONVENIÊNCIA E AS [COMUNIDADES] NEGRAS E PARDAS PAGARÃO O PESO DISSO SEMPRE. Não vamos entender até que seja tarde demais. Vocês não me ouvem, no entanto", sentenciou, alertando para um futuro onde os benefícios da tecnologia podem vir acompanhados de um custo social e ambiental insustentável.

A angústia de SZA em relação à tecnologia já havia sido verbalizada em sua obra. "

A canção serve como um prenúncio da batalha que a cantora agora trava abertamente, não apenas por seus direitos, mas pela alma da criação artística em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.

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