Paulista ainda não confirma U2, Coldplay nem Bruno Mars

Desafios burocráticos adiam sonhos de grandes shows na capital e levantam questões sobre o futuro do entretenimento urbano.

24 jul 2026 - 19h07
Paulista ainda não confirma U2, Coldplay nem Bruno Mars
Paulista ainda não confirma U2, Coldplay nem Bruno Mars
Foto: The Music Journal

A promessa de um megashow gratuito na Avenida Paulista, que acenava com nomes como U2, Coldplay e Bruno Mars, parece cada vez mais distante.

A burocracia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) impôs um novo capítulo de incerteza, com o adiamento da análise de embargos que podem definir o futuro dos eventos de grande porte na icônica avenida. O que era para ser uma celebração em setembro, durante o feriado da Independência, agora se transforma em uma corrida contra o tempo, minando as esperanças de ter essas estrelas internacionais no palco paulistano.

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A expectativa da Prefeitura de São Paulo em sediar um evento grandioso, que poderia revitalizar a cena cultural e turística da cidade, esbarrou em um obstáculo inesperado. A análise crucial, inicialmente pautada para julho, foi transferida para 4 de agosto, jogando um balde de água fria nos planos já ambiciosos.

O prefeito Ricardo Nunes não escondeu sua frustração em declaração ao Metrópoles, apontando para o risco de perder os artistas desejados.

Se ficarem postergando, não conseguiremos data com os artistas. O quanto antes tiverem a possibilidade de trabalhar é melhor para se obter as datas nas agendas dos artistas. Já não sabemos mais, tínhamos essas opções [Bruno Mars, U2 e Coldplay] meses atrás, hoje nem deve ter mais essas opções

O nó dos embargos e a busca por um "Custo Zero"

O cerne da questão reside no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em fevereiro, que visa expandir o número de eventos na Paulista de três para seis anuais. Contudo, a homologação desse acordo em maio veio acompanhada de regras rigorosas do MPSP.

Isso significa que todas as despesas - desde a montagem da estrutura e cachês artísticos até a segurança e limpeza - teriam que ser arcadas integralmente por patrocinadores e organizadores, sem qualquer aporte de dinheiro público. A prefeitura contesta essa imposição, alegando falta de consulta pública para sua inclusão.

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Não apenas a prefeitura, mas também associações de moradores e empresários, como a MOVPAULISTA, o movimento Paulista Boa Para Todos e a SAMORCC (Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César), apresentaram seus próprios embargos. Eles buscam esclarecer pontos considerados "obscuros, contraditórios ou omissos" na decisão do Conselho Superior, demonstrando a complexidade e a multiplicidade de interesses envolvidos na gestão de um espaço tão vital como a Avenida Paulista.

A análise dessas contestações também foi remarcada, criando um cenário de espera que prejudica qualquer planejamento a curto prazo.

Segurança, mobilidade e a voz da comunidade

As preocupações com a segurança, mobilidade e impacto sonoro na região foram pontos cruciais levantados por parte dos conselheiros do MPSP. Durante a homologação do TAC, em maio, alguns membros expressaram que a fundamentação técnica apresentada pela prefeitura, resumida a "uma apresentação institucional em slides da SPTuris", era insuficiente. A falta de estudos detalhados sobre lotação, rotas de fuga, impacto no transporte público e até a ausência de audiências públicas para ouvir a população geraram um voto-vista contundente. O parecer fez o seguinte apontamento:

500 seguranças, 250 bombeiros, 13 postos médicos, 15 ambulâncias), sem o cálculo, a metodologia ou parecer técnico que deveriam respaldá-los

A Promotoria do Meio Ambiente e a Corregedoria do MP chegaram a recomendar a conversão do TAC em inquérito civil, buscando garantir que todas as partes interessadas fossem ouvidas. No entanto, a versão aprovada do acordo, proposta pelo procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, trouxe algumas alterações e exigências. A prefeitura terá que apresentar estudos técnicos aprofundados sobre a capacidade da via, planos de segurança e evacuação de emergência detalhados, além de estudos de impacto viário e no transporte público, elaborados por órgãos como CET, SPTrans e Metrô.

Essa camada extra de exigências, embora fundamental para a segurança e organização, adiciona mais etapas a um processo já bastante arrastado.

O sonho de ter um U2 ou Coldplay ecoando na Paulista, com a energia vibrante de Bruno Mars, se distancia a cada adiamento. A complexidade de conciliar o desejo de grandes eventos com as exigências de segurança, sustentabilidade e transparência burocrática é um desafio constante nas grandes metrópoles.

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Enquanto a espera se prolonga, a janela de oportunidade para atrair os gigantes da música diminui, e a pergunta que fica é: até quando São Paulo terá que esperar para ver seus sonhos de entretenimento se tornarem realidade na Paulista?

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