Charli XCX revela como usou IA em seu novo álbum

Artista mergulha em tecnologia de ponta para 'No One Lasts Foreve', redefinindo o processo criativo e provocando a indústria.

28 jul 2026 - 09h07
Charli XCX revela como usou IA em seu novo álbum
Charli XCX revela como usou IA em seu novo álbum
Foto: The Music Journal

A cantora pop Charli XCX acaba de lançar Music, Fashion, Film, o aguardado sucessor de Brat, e já está sacudindo o mundo da música. Não apenas pelas composições incendiárias, mas por uma revelação que coloca a inteligência artificial no centro da sua mais recente empreitada sonora.

Em pelo menos uma das faixas do álbum, a artista abraça um plugin de IA para esculpir paisagens auditivas completamente novas, um movimento que instiga discussões sobre a intersecção entre arte e tecnologia no cenário musical contemporâneo.

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A faixa em questão é No One Lasts Forever, onde Charli XCX, ao lado de seus colaboradores de longa data, AG Cook e Finn Keane, mergulha em um universo de experimentação. A ferramenta que catalisou essa inovação é o Concatenator, um plugin de "mosaico de áudio" desenvolvido pela DataMind Audio.

A proposta da empresa é ambiciosa: "construir um ecossistema de instrumentos expressivos que trata os criadores como parceiros, não como matéria-prima". Uma visão que ressoa com a vanguarda criativa de Charli XCX.

A Engenharia por Trás da Magia

O Concatenator funciona como um alquimista digital. Ele dissecou grandes volumes de áudio, meticulosamente catalogando cada som por suas características — timbre, altura e amplitude. O resultado? Um mosaico visual de possibilidades sonoras.

Quando um novo áudio é inserido, a IA reconstrói o sinal em tempo real, costurando microfragmentos de sua vasta biblioteca para se aproximar do som desejado.

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Essa capacidade de "remontar" o som em nível quase molecular é o que permitiu a AG Cook transformar uma jam session com Keane em uma batida de bateria coesa e inovadora. "O loop foi construído a partir de praticamente todos esses arquivos", revelou Cook, destacando a natureza fragmentada e reimaginada do processo criativo.

A artista, em entrevista ao podcast Tape Notes, refletiu sobre o impacto pessoal dessa jornada:

Essa música me fez mudar a maneira como penso sobre minha vida e minha arte. Essa foi a jornada que eu estava trilhando enquanto a escrevia

Do Caos à Ordem: A Intenção por Trás do Som

AG Cook detalhou a abordagem técnica, ressaltando o foco no áudio em detrimento do MIDI tradicional.

A maior diferença em comparação com muitas faixas que Finn e eu fizemos juntos é que esta é muito focada em áudio. Praticamente não há MIDI. Qualquer MIDI presente é apenas trechos de algo que gravamos ou editamos

A experimentação se estendeu à gravação, onde guitarras, baixo e outros instrumentos foram tocados com kits de bateria eletrônica, gerando uma paleta sonora única. Cook compartilhou como o processo se revelou quase subversivo de busca pelo som "imperfeito":

Temos todos esses pequenos sons ao longo da faixa, todos esses pequenos fragmentos. É engraçado porque estamos literalmente correndo pelo estúdio com o máximo de coisas conectadas possível, criando os piores sons que conseguimos

No entanto, o que emergiu dessa exploração foi algo "meio legal com a bateria". A segunda metade de No One Lasts Forever é um testemunho dessa técnica, construída quase inteiramente a partir desses fragmentos reprocessados pelo Concatenator.

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O Futuro da Criação Musical

A incursão de Charli XCX na IA não é apenas um experimento isolado; é um vislumbre do futuro da produção musical. Em um cenário onde o streaming e as redes sociais impulsionam a demanda por novidade constante, a capacidade de gerar sons e texturas inéditas com a ajuda de ferramentas inteligentes pode ser um diferencial competitivo e criativo.

The Music Journal Brazil
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