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Martin Garrix se prepara para lançar álbum de estreia, projeto que levou 13 anos para se concretizar

Com a colaboração de Madonna, U2, Ed Sheeran e AITANA, o astro da música eletrônica troca a cabine de DJ pelo microfone em "MARTY", com lançamento previsto para 5 de março de 2027

21 out 2026 - 14h10
Resumo
Aos 30 anos e com mais de uma década de carreira, o DJ holandês Martin Garrix lançará em março de 2027 seu primeiro álbum pop definitivo, "MARTY". Descrito como autobiográfico, o projeto de 14 faixas levou 13 anos para ser concluído e traz uma faceta mais íntima do artista, que canta pela primeira vez em quatro faixas com incentivo de Bono. O disco também conta com participações de grandes nomes internacionais como Madonna, U2 e Ed Sheeran, marcando uma nova fase de maturidade e evolução musical.

Sepang, Singapura, Los Angeles. Em apenas 10 dias, Martin Garrix passou por esses três lugares, mantendo o ritmo frenético pelo qual o DJ e produtor holandês é conhecido. Garrix faz turnês internacionais desde os 16 anos. Agora, aos 30, ele passou quase metade de sua vida na estrada ou em trânsito entre um destino e outro.

Martin Garrix
Martin Garrix
Foto: Reprodução / Rolling Stone Brasil

Uma agenda tão exigente desenvolve uma grande experiência em viagens e apresentações. Como vencer o jet lag? Onde guardar com segurança os pen drives (que contêm sua biblioteca musical) quando se vive com uma mala na mão? Como dosar um set de 60 minutos em um dos maiores e mais importantes festivais de música eletrônica do mundo?

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Toda essa bagagem, no entanto, não torna Garrix imune a um rito de passagem peculiar aos 30 anos: "Percebo que não sei porra nenhuma", diz ele à Rolling Stone. "E essa é uma sensação incrível. Ainda há muito espaço para crescer, muito a aprender."

Parte desse aprendizado virá por meio de aulas de canto, logo após uma série de shows na Cidade do México, com Amsterdã já no horizonte. Com mais de uma década de carreira, ele tem se interessado cada vez mais em descobrir quem é Martin Garrix para além da cabine de DJ. No último ano — e, de forma mais intensa, nestes dias —, essa curiosidade tem se materializado em um projeto que levou anos para ser preparado: seu álbum de estreia, MARTY. O disco, composto por 14 faixas e batizado com o nome de seu primeiro pseudônimo como DJ, chega no dia 5 de março de 2027, pela Interscope Records e por seu próprio selo, a STMPD RCRDS.

O termo "álbum de estreia" pede uma pausa para reflexão. Sentio, lançado em 2022, foi divulgado como tal, mas Garrix — que o descreve como um "álbum para pistas de dança" — não vê qualquer contradição nisso. "[MARTY] soa como o primeiro álbum pop — pop-dance, basicamente", esclarece.

Há uma lógica clara em apresentá-lo como sua estreia definitiva. A questão da identidade tem muito a ver com isso.

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O álbum foi concebido para ser, ao mesmo tempo, autobiográfico e representativo de uma época. Com cada faixa representando um capítulo diferente de sua vida, MARTY oferece um vislumbre sem precedentes da intimidade de uma das mentes mais bem-sucedidas e influentes da dance music. A narrativa do disco — que vai desde o nascimento de Garrix, na faixa de abertura "Catharina" (escrita sobre sua mãe), passando pela vida após a morte e o renascimento — lança luz sobre uma pergunta, em grande parte, ainda sem resposta: no que se tornou aquele prodígio — hoje adulto — que estourou em 2013 com "Animals"?

https://www.youtube.com/watch?v=G00dmXhboaw

Embora outros colaboradores ainda devam ser anunciados, os nomes confirmados até o momento já são suficientes para despertar a curiosidade até de quem não acompanha a cena: Madonna ("Bizarre"), U2 ("Fireflies"), Ed Sheeran ("Rewind Repeat It", produzida há mais de uma década) e AITANA, na primeira música de Garrix em espanhol — ainda sem título definido. ("Bizarre" também apareceu em Confessions II, da Rainha do Pop.)

"Tive a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis e lendários; é algo surreal", diz Garrix sobre as participações em MARTY, que também marca sua primeira colaboração com um grupo de K-pop. "Até mesmo quando a Madonna lançou o álbum dela, eu fiquei pensando: 'Como é que o meu nome está ali?'"

É difícil encontrar alguém mais icônico que Madonna, mas Garrix já está acostumado a transitar entre os grandes nomes do pop, do rock e do R&B. Há muitos exemplos: "Summer Days" (2019), com Macklemore e Patrick Stump, do Fall Out Boy; "Scared to Be Lonely" (2017), com Dua Lipa; e "Don't Look Down" (2015), com Usher.

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Desta vez, Garrix faz algo que, por muito tempo, deixou a cargo de seus colaboradores. Pela primeira vez, ele canta sozinho em quatro faixas do álbum — algo que poucos produtores tentam e que, entre os que se arriscam, poucos conseguem fazer bem. Duas delas já foram lançadas: "Catharina" e "This Dream Of You".

https://www.youtube.com/watch?v=nV2_ehKrjHg

"Para ser sincero, o motivo de eu não ter feito isso antes é que eu estava muito confortável. Eu pensava: 'Ok, vou apenas compor para outros, e deixo que outras pessoas cantem'", diz.

Por incentivo de Bono, Garrix foi ganhando confiança, aos poucos, para ficar diante do microfone. Ele aprendeu, "como uma esponja", com o vocalista do U2, que ouviu as primeiras demos, orientou-o sobre a interpretação vocal e colaborou em algumas letras.

Cantar está "muito fora da minha zona de conforto", confessa Garrix, acrescentando que sentiu isso como um imperativo criativo. "Há músicas muito pessoais no álbum. Seria estranho se outra pessoa cantasse uma canção sobre a minha mãe", explica. Os vocais também funcionam como um poderoso ato de retomada — tanto da autoria quanto da própria identidade.

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"Catharina" serviu como um "lançamento experimental" de Martin Garrix como vocalista solo — um teste decisivo para verificar se a nova abordagem teria repercussão ou se as pessoas pensariam: 'Que porra ele está fazendo?'" Foi o que aconteceu, embora muitos tenham interpretado a música erroneamente como sendo sobre amor romântico, em vez de amor materno — incluindo alguns de seus amigos próximos.

MARTY nunca teve a intenção de se limitar apenas a momentos de euforia com as mãos para o alto (embora eles também estejam presentes). Pergunto: será que a longa associação de Garrix com pirotecnia e drops estrondosos atraiu um público que espera mais espetáculo do que conteúdo? Ou será que a má fama da música eletrônica — vista como divertida, porém vazia e pouco séria — acabou prejudicando a versão atual do gênero?

Garrix não discorda, mas confia que a profundidade aparecerá quando as pessoas ouvirem o projeto MARTY do início ao fim. "Estou muito empolgado para mostrar às pessoas algo além do que elas já conhecem", diz. "Muitos supõem que DJs e produtores simplesmente chegam a um show e tocam músicas a partir de um pendrive, mas dá muito mais trabalho quando você é, de fato, quem cria a música que está sendo tocada. Componho tudo no violão, gravo as demos... Estou animado para levar o público nessa jornada. Isso não significa que vou perder meu DNA, mas quero evoluir."

Rolling Stone Brasil
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