Karol Conká sempre foi aberta com suas experiências de carreira e fama. Agora, a cantora descreveu sua luta em termos mais pessoais e históricos.
Em entrevista ao documentário A História da Música Paranaense (via TMDQA), a artista abordou as dificuldades de crescer uma mulher negra em Curitiba. Ela relatou uma conversa que teve com sua avó, nascida no Nordeste, sobre os motivos que a levaram a se mudar para o Sul:
"É muito difícil, de fato, ser preta em Curitiba. Muitas pessoas no Brasil não fazem ideia do que é isso. A minha avó é nordestina e na época eu falava para ela: 'vó, por que você veio para Curitiba ter a minha mãe que me teve?'. Por que ela não ficou lá em Salvador? Enfim, histórias de uma mulher preta, nordestina, muito triste, e isso fez com que ela fosse para Curitiba."
Karol ainda listou todas as maneiras que ela encontrou para tentar driblar o racismo das pessoas. E sua felicidade ao encontrar pessoas pretas lutando contra isso:
"Eu comecei a arquitetar as minhas defesas em muitas situações, como não usar mochila, ter um bom argumento. Os meus pais sempre me ensinaram: 'seja inteligente, seja estudiosa porque sempre vão subestimar a sua inteligência porque você é uma mulher preta'. Aí eu fui percebendo o quanto aquilo era doloroso, mas eu percebi que tinham outras pessoas não pretas que também lutavam contra o racismo. Eu me unia com elas ali no colégio e a gente ia causando uma revolução ali."
Outro episódio lembrado pela artista durante a entrevista foi quando, aos 16 anos, ela denunciou o racismo de um professor no seu colégio em Curitiba. A confusão se originou porque o docente levou um livro de Adolf Hitler para a escola e mostrou aos seus alunos. Karol denunciou o comportamento do profissional ao documentário Preto no Branco: Negros em Curitiba (2005).
https://vimeo.com/366903716