Após um hiato de sete anos sem um disco de estúdio, Jade Baraldo está de volta com "Não Há Nada Mais Honesto Que Um Sonho". O novo álbum, que chega às plataformas no dia 08 de maio, não é apenas um compilado de canções, mas um manifesto de sobrevivência e reconstrução. Em um registro direto e sensível, a artista transforma traumas, batalhas contratuais e a redescoberta da liberdade em música, marcando um retorno centrado na verdade artística que sempre foi sua marca registrada.
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O peso do hiato e a reconquista da liberdade
A ausência de Jade Baraldo dos grandes lançamentos não foi uma escolha estética, mas o resultado de um período turbulento. Questionada sobre o porquê de o momento atual ser o ideal para o novo disco, a cantora é enfática sobre os obstáculos que enfrentou:
"Tô devendo meu segundo álbum pros meus fãs há muito tempo. Foram muitos fatores, como meus problemas pessoais, contratos e restrições que não me ajudavam", confessa Jade.
Hoje, em uma nova fase como artista independente, ela celebra o fim de ciclos prejudiciais. "Hoje novamente independente, tanto desse relacionamento tóxico, quanto de contratos restritivos, consegui colocar um novo álbum artisticamente coeso comigo na rua. Assim que eu reconquistei essa liberdade, fazer esse álbum foi a primeira coisa que veio na minha cabeça."
A vulnerabilidade como única opção
Para a cantora, a exposição da dor não é uma estratégia de marketing, mas uma extensão da sua identidade. Inspirada por ícones como Amy Winehouse, Elis Regina e Lana Del Rey, ela entende que a arte exige um "pedaço do próprio mundo". No entanto, ela faz uma ressalva importante sobre o tom do novo trabalho:
"Não consigo fazer música que não seja eu. A única coisa que eu sinto que preciso deixar claro é que ainda posso fazer uma música divertida e feliz, e que isso não faz da música menos visceral e verdadeira. Por incrível que pareça eu também sou feliz e me divirto muito."
O mercado e o custo da essência
Manter-se fiel à própria voz em uma indústria obcecada por números é um desafio constante. Jade admite que os limites do que é inegociável são aprendidos "conforme vamos nos machucando e criando novos traumas". Para ela, o segredo da resistência está na motivação inicial:
"Eu nunca quis fazer música pelo dinheiro. Mesmo me fudendo. E isso facilita minha coragem de manter minha essência independente do sucesso."
Sobre o cenário atual, a cantora acredita que o público está "carente de humanidade" e, por isso, rejeitou o uso de tecnologias impessoais no novo projeto. "Não me vi usando ferramentas de inteligência artificial nas minhas músicas nesse projeto. A expressividade humana era tudo que eu precisava agora", afirma.
O desabafo: "Pensei em desistir o tempo todo"
A parte mais forte da conversa surge quando Jade Baraldo aborda a realidade dos artistas que não vêm de contextos privilegiados. Ao ser questionada se já pensou em abandonar a carreira, a resposta é de uma honestidade brutal:
"O tempo todo! Principalmente por falta de dignidade, seja moral ou financeira. Esses últimos anos foram muito difíceis. Ser artista é uma grande batalha. É uma desistência atraente."
Jade aproveita o momento para lançar um alerta sobre a estrutura da indústria fonográfica brasileira, apontando uma desigualdade que sufoca novos talentos.
"Preciso falar: os artistas novos e menores de idade precisam de mais estrutura, melhores leis e mais incentivo pra arte não ficar na dominância de nepobaby, playboy e grandes corporações. Urgente", dispara a cantora.
Parcerias dos sonhos
Encerrando o ciclo de reflexões, Jade olha para o futuro e para o passado. Se pudesse escolher colaborações, seus nomes seriam os pilares que moldaram sua estética. Lana Del Rey, entre as artistas atuais, e a eterna Amy Winehouse, como a parceria dos sonhos que o tempo não permitiu.
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