Indústria fonográfica propõe adicionar rótulos a músicas geradas por IA

Esses rótulos oferecerão uma forma imediatamente compreensível e facilmente escalável de transparência, dizem a RIAA e outras entidades sobre a iniciativa

14 jul 2026 - 08h52

Mais de 35 anos após a introdução do selo Parental Advisory, a indústria fonográfica agora avalia se deve colocar rótulos em músicas que utilizam IA.

Robô na Banca Intesa San Paolo do Maker Faire Rome, na Itália, em outubro de 2025 (Foto: Simona Granati
Robô na Banca Intesa San Paolo do Maker Faire Rome, na Itália, em outubro de 2025 (Foto: Simona Granati
Foto: Corbis/Corbis via Getty Images) / Rolling Stone Brasil

Em um anúncio conjunto da Recording Industry Association of America (RIAA), do Grammy, do SAG-AFTRA e de outras organizações da comunidade musical, os grupos declararam "uma abordagem unificada para a rotulagem voluntária de faixas, a fim de dar aos fãs informações mais claras sobre o uso de IA generativa em gravações sonoras".

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A proposta é adicionar marcadores digitais — semelhantes aos que indicam letras explícitas nos serviços de streaming — a músicas criadas inteiramente por IA ou que tenham sido auxiliadas por essa tecnologia. Um bloco preto com um grande "AI" indicaria faixas "Geradas por IA", enquanto um bloco branco com um "ai" menor seria usado para músicas "assistidas por IA".

"Os fãs querem saber se e como a IA generativa foi usada na música que ouvem", disseram em uma declaração conjunta a CEO da IFPI, Vikki Oakley, e o presidente e CEO da RIAA, Mitch Glazier. "Considerando o quanto a arte humana e a autenticidade são importantes para pessoas que amam música no mundo todo, esses rótulos oferecerão uma forma imediatamente compreensível e facilmente escalável de transparência", acrescentaram. "Reconhecemos as muitas maneiras pelas quais a IA vem sendo usada de forma criativa, então esperamos oferecer aos fãs informações adicionais à medida que a adoção da rotulagem de IA generativa crescer e a tecnologia evoluir."

O apelo por "transparência" surge após reportagens detalharem o grande volume de músicas de IA sendo enviadas para serviços de streaming: a Deezer informou que músicas geradas por IA representaram 44% de todos os novos envios, enquanto a Apple Music afirma que um terço das novas músicas enviadas ao serviço é "100% IA".

"Esses novos rótulos ajudarão ouvintes a distinguir entre gravações totalmente de IA e aquelas em que a IA foi usada por artistas humanos de maneiras limitadas", acrescentou o comunicado das empresas.

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O CEO do Grammy, Harvey Mason Jr. — que já adicionou diretrizes sobre IA à premiação — disse em uma declaração: "À medida que a IA continua a ser integrada ao processo criativo, artistas e fãs merecem uma forma clara de comunicar como e quando ela está sendo usada. Esta iniciativa garante que criatividade, autoria e intenção artística permaneçam no centro de cada música. Dar aos artistas a capacidade de contar essa história fortalece a confiança e apoia um futuro mais sustentável para a música."

Não está claro quando — e se — os serviços de streaming começarão a implementar esses rótulos de IA nas faixas.

Rolling Stone Brasil
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