O lineup Balaclava Fest 2026, evento que traz ao Brasil alguns dos maiores nomes da música alternativa, foi divulgado na última terça-feira, 26. O festival terá o dobro do tamanho esse ano, ocorrendo ao longo de dois dias - 26 e 27 de setembro - no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
Na programação, há artistas que percorrem a história contemporânea do rock alternativo, desde os anos 1990 até hoje, além de alguns nomes de R&B em ascensão. Também há atrações nacionais de perfil similar.
Essa é a 16ª edição do festival, que foi estabelecido em 2015 pela Balaclava Records, selo brasileiro focado em indie rock. Em 2025, os principais nomes internacionais foram Stereolab, Yo La Tengo e Geordie Greep.
Ingressos já estão à venda via Ingresse. Fãs podem adquirir entradas para cada dia específico ou um passaporte do festival completo a um preço promocional.
Confira abaixo uma lista contando um pouco mais das atrações internacionais do festival.
Sábado - 26 de setembro
Blonde Redhead (art rock/dream pop)
Lendária banda alternativa dos anos 1990, o Blonde Redhead é formado por Kazu Makino (vocais, guitarra, teclados) com os irmãos gêmeos Simone (bateria e teclados) e Amedeo Pace (guitarra, baixo, teclados, vocais). O trio construiu para si uma reputação na cena de Nova York, com comparações ao Sonic Youth.
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Ao longo de sua trajetória, o grupo incorporou mais elementos de shoegaze - vertente do indie rock marcada por texturas etéreas e muita distorção - e dream pop ao seu som, com Melody of Certain Damaged Lemons (2000) reconhecido por fãs como o ponto alto da discografia. Esse álbum contém a música pela qual o conjunto é mais conhecido, "For The Damaged Coda", usada no desenho animado Rick and Morty como tema do personagem Evil Morty.
A única passagem do grupo pelo Brasil foi em 2012. Na ocasião, fez shows no MCI Fest, em São Paulo, e no festival Coquetel Molotov, em Recife.
Dry Cleaning (pós-punk)
Quarteto britânico formado em 2017 que despontou internacionalmente graças à combinação de um som bem influenciado pelo pós-punk de Public Image Ltd., Siouxsie and the Banshees e The Fall com os vocais spoken word de Florence Shaw.
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O conjunto fez parte da programação da primeira edição do C6 Fest, em 2023, na sua única passagem pelo Brasil até agora. Atualmente, está em turnê para promover seu álbum mais recente, Secret Love (2026).
Pedro The Lion (indie rock/slowcore/emo)
Projeto liderado pelo músico americano David Bazan desde os anos 90 que construiu para si uma reputação cult ao misturar elementos de slowcore - um estilo de indie rock caracterizado por ritmos lentos e instrumentação minimalista - com emo. Esse será o primeiro show da banda no Brasil.
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A banda anunciou um hiato em 2006 para dar lugar a uma carreira solo de Bazan, mas retornou aos palcos em 2017. Desde a volta, Pedro The Lion lançou três álbuns de estúdio, com o mais recente sendo Santa Cruz (2024).
Bar Italia (indie rock)
Trio britânico que faz um indie rock cujo principal atrativo é o fato de ter um constante jogo nos vocais entre os integrantes: Nina Cristante (vocais), Jezmi Fehmi (vocais, guitarra) e Sam Fenton (vocais, guitarra). A estética da banda já foi associada à tendência de indie sleaze, um revival nostálgico da cultura alternativa dos anos 2000.
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Entretanto, desde despontar com o álbum Tracey Denim (2023), o Bar Italia incorporou mais elementos de pós-punk e shoegaze nos discos The Twits (2023) e Some Like It Hot (2025). O grupo chegou a marcar uma turnê de quatro datas no Brasil e uma na Argentina em 2024, mas precisou cancelar por "questões logísticas inevitáveis". Logo, essa será a primeira vez do conjunto no país.
Liv.e (R&B)
Liv.e (pronunciado Liv) é o nome artístico da cantora, compositora, produtora e rapper americana Hailee Olivia Williams, que faz um som que busca fugir do lugar comum do gênero, incorporando elementos de jazz, hip-hop e psicodelia à fórmula. Seu álbum de estreia, Couldn't Wait to Tell You (2020), ganhou tração na indústria após ser divulgado num livestream por Erykah Badu, que é da mesma cidade natal dela, Dallas.
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A cantora também é conhecida por suas parcerias com os rappers Earl Sweatshirt e Pink Siifu. O lançamento mais recente da artista é o EP Past Futur.e (2024), cuja sonoridade destoa do resto de sua obra por puxar mais para o synthpunk e synthwave.
Wishy (shoegaze/indie pop)
Banda formada originalmente pela dupla Kevin Krauter (vocais, guitarra) e Nina Pitchkites (vocais, guitarra), que hoje em dia é um quinteto. O som une o lado mais etéreo do shoegaze com uma sensibilidade pop apurada, com melodias e harmonias vocais doces.
https://www.youtube.com/watch?v=kz6nb7yIsCQ
O álbum de estreia do Wishy é Triple Seven (2024), mas seu lançamento mais recente é o EP Planet Popstar (2025). Essa é a primeira vez do grupo no Brasil.
Sharp Pins (lo-fi/power pop)
Projeto solo do músico Kai Slater, parte da cena DIY de Chicago conhecida como Hallogallo, de onde saiu o Horsegirl, atração recente do C6 Fest. A principal influência sonora parece ser o Guided By Voices, lendária banda americana conhecida por seus métodos de gravação lo-fi e adoração de música britânica dos anos 60.
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Slater teve um ano particularmente ocupado em 2025. Ele lançou dois álbuns do Sharp Pins - Radio DDR e Balloon Balloon Balloon - além de Ripped and Torn, disco de estreia de sua outra banda, Lifeguard. O artista nunca fez shows antes ao país.
Domingo, 27 de setembro
DIIV (shoegaze/eletrônica)
O grupo liderado por Zachary Cole Smith (vocais, guitarra) já veio duas vezes ao Brasil, trazendo um som que mistura shoegaze com experimentalismo eletrônico. A última passagem pelo país ocorreu em 2024, durante a turnê do álbum Frog In Boiling Water (2024), quando fez dois shows em São Paulo e um em Belém, no Festival Se Rasgum.
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Desde então, Smith passou pela experiência traumática dele e sua família perderem tudo nos incêndios da Califórnia em 2025. O show que o DIIV traz para cá dessa vez é descrito pelos organizadores do festival como inédito, então há a possibilidade de novo álbum da banda no horizonte.
Wednesday (alt-country/shoegaze)
Banda americana de Asheville, na Carolina do Norte, que combina elementos aparentemente díspares como shoegaze e alt-country. O resultado são narrativas góticas do sul dos Estados Unidos cercadas de muralhas de guitarras e pedal steel.
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Apesar de estar ativo desde 2017, o grupo liderado por Karly Hartzman (vocais, guitarra) se tornou queridinho da crítica graças ao álbum Rat Saw God (2023), que o alavancou à fama indie internacional. Essa será a primeira vinda do Wednesday ao Brasil.
Beach Fossils (indie pop/dream pop)
Formado em 2009 no Brooklyn, bairro da cidade de Nova York, o Beach Fossils foi um dos responsáveis pela popularização da sonoridade lo-fi que tomou conta do indie nos anos 2010. Isso em conjunto com seus colegas no selo Captured Tracks: Mac DeMarco e DIIV, o último também atração do Balaclava Fest 2026.
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O último lançamento inédito do grupo foi o álbum Bunny (2023). Em 2025, contudo, o Beach Fossils gravou um cover de "Inside Out", música do conjunto americano Duster, que se tornou febre após ser redescoberto online.
A banda já veio ao Brasil antes. Foram duas passagens pelo país, com a mais recente ocorrida em 2018.
High Vis (indie rock/pós-punk)
Conjunto de pós-punk e indie rock formado por integrantes saídos da cena hardcore de Londres. O High Vis também se distingue por incorporar elementos de post-hardcore, psicodelia e dance music ao som.
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O álbum mais recente do grupo é Guided Tour (2024). Essa será a primeira vez que a banda vem ao Brasil.
Sudan Archives (R&B/Dance)
Pseudônimo da cantora, compositora e violinista americana Brittany Parks. Inicialmente, o projeto começou como R&B mais idiossincrático, porém seu álbum mais recente, The BPM (2025), simbolizou uma guinada para a dance music.
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O trabalho foi inspirado pelas raízes de seus pais em Chicago e Detroit, locais fundamentais para a dance music como conhecemos hoje, através da criação do house e do techno, respectivamente, em cada cidade. Essa será a estreia de Sudan Archives em palcos brasileiros.