Carly Simon revela diagnóstico de Parkinson e anuncia primeiro álbum de inéditas em 18 anos

Cantora, de 83 anos, explica afastamento e revela cirurgia para tratar câncer de pele no rosto

27 jul 2026 - 11h01

A cantora e compositora Carly Simon quebrou anos de silêncio com uma revelação dura e, ao mesmo tempo, cheia de coragem.

Carly Simon se apresenta durante a estreia de gala de abertura do Festival de Cinema de Tribeca, em abril de 2017
Carly Simon se apresenta durante a estreia de gala de abertura do Festival de Cinema de Tribeca, em abril de 2017
Foto: Taylor Hill/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Em uma carta aberta publicada na revista People, nesta segunda, 27, a artista de 83 anos contou que vive com a doença de Parkinson. Simon também afirmou que, enquanto aprendia a lidar com o diagnóstico, gravou Comes in Waves, seu primeiro álbum de canções originais desde 2008, com lançamento previsto para 14 de agosto.

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"A doença pode mudar sua vida sem se tornar toda a sua vida", escreveu.

Na carta, Simon explica o afastamento que vinha intrigando fãs há anos. Tudo começou com artrite nos dois joelhos e em um quadril, o que levou a três cirurgias de substituição articular. Com o agravamento dos problemas de mobilidade, dificuldade para se levantar do sofá e momentos em que não conseguia andar sem ajuda, a família percebeu que havia algo além do pós-operatório. Após uma avaliação extensa na Mayo Clinic, veio o diagnóstico de Parkinson.

No mesmo período, a cantora passou por tratamento para um carcinoma basocelular no rosto, um tipo de câncer de pele removido cirurgicamente. Segundo ela, o procedimento afetou sua aparência e aumentou a autoconsciência em relação a aparições públicas. "Sempre fui mais crítica com a minha própria aparência do que qualquer outra pessoa poderia imaginar — e isso deu bastante material novo para meu crítico interior", escreveu.

Simon descreve o que considera o aspecto mais difícil da doença: não o tremor ou a rigidez, mas a apatia: "Você pode se encontrar deitada como uma estrela-do-mar secando ao sol, com os braços apontando em todas as direções, sem que nada dentro de você mande você se levantar, ler, assistir, escrever, cantar ou fazer qualquer coisa", relata. "Não é simplesmente tristeza ou preguiça. É como se a parte do cérebro que envia convites para participar da vida tivesse temporariamente perdido a lista de convidados".

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O que a tirou desse estado foi justamente o trabalho. Em meio às cirurgias, ao diagnóstico e às limitações físicas e emocionais, Simon voltou ao estúdio. Comes in Waves nasceu de melodias, versos e ideias guardados ao longo dos anos, à espera do momento certo. "Aparentemente, esse momento é agora", escreveu. O álbum conta com contribuições de seus filhos Ben e Sally Taylor, frutos do casamento com o músico James Taylor, além de colaboradores de longa data, como Paul Samwell-Smith e Frank Filipetti. O projeto também inclui uma das últimas gravações do músico John Forté.

Integrante do Rock and Roll Hall of Fame desde 2022, Carly Simon despontou em 1971 com um álbum de estreia que lhe rendeu o Grammy de Melhor Artista Revelação. De "You're So Vain" a "Nobody Does It Better", tema do filme de James Bond O Espião Que Me Amava (1977), e ao oscarizado "Let the River Run", ela construiu uma das discografias mais respeitadas da música americana.

"Ainda escrevo, canto, imagino, rio, me preocupo, me lembro e, ocasionalmente, fico presa em um sofá muito fundo. Mas ainda estou muito aqui", finalizou.

Rolling Stone Brasil
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