O novo filme da Prime Video Corrida dos Bichos apresentou um clássico da música nacional à nova geração. Anitta regravou Bichos Escrotos, dos Titãs, e essa versão tem repercutido nas redes sociais.
Memes que utilizam-se da música como temática têm tomado a internet. Exemplo disso é o vídeo que traz uma versão dos bichos em formato de animação dançando ao som da música.
Ao deixar de lado a agressividade da música original, a nova versão aposta em elementos mais modernos - em especial, batidas de funk.
Músicos dos Titãs descobrem censura durante entrevista ao 'Estadão'
Presente no álbum Cabeça Dinossauro - que completa 40 anos em 2026 -, Bichos Escrotos passou por censura durante a ditadura militar brasileira e sua veiculação em rádio ou na TV foi proibida.
"A versão analisada deixa vazar em seu discurso um sentimento de pessimismo, ao mesmo tempo que projeta uma imagem escatológica da realidade", dizia o documento da época publicado no site do SIAN (Sistema de Informações do Arquivo Nacional) e apresentado à banda pelo Estadão durante uma entrevista recente.
Ao tomar conhecimento do conteúdo, Tony Bellotto comentou: "Como se não houvesse motivos para sermos pessimistas em 1986". Sérgio Britto emendou: "É chocante pensar que o trabalho de um artista era submetido a uma avaliação tão primária e grosseira".
A história de 'Bichos Escrotos'
Nando Reis explicou há alguns anos que, durante uma gravação em estúdio, viu uma barata. A partir daí, a ideia da canção foi tomando forma.
No entanto, a expressão "bichos escrotos" não faz referência, necessariamente, aos insetos, mas sim uma ideia atrelada ao rock que foi desenvolvida no disco - a de rebeldia e crítica.
Na entrevista, Sérgio Britto comentou também o uso da da expressão "vão se fo****" em Bichos Escrotos. "O palavrão é apenas uma força de expressão, para dizer algo com mais ênfase. Isso é óbvio. Fazemos isso no dia a dia. Está na literatura há séculos."
Outra música que também incomodou foi Igreja. Ela diz: "Eu não gosto de padre/Eu não gosto de madre/Eu não gosto de frei/Eu não gosto de bispo/Eu não gosto de Cristo".
Sobre o tema, Britto afirmou: "Ela é precisa. Estávamos focados em dizer as coisas de forma mais seca. É 'ele' (personagem) que não gosta de padre, de igreja etc. É a liberdade dele em não gostar".