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Alok Leva 1.500 Drones e Zeeba ao Rock in Rio 2026

Apresentação reuniu drones, 45 bailarinos, pirotecnia, sucessos da carreira e participações especiais no Palco Mundo

13 set 2026 - 03h18
Resumo
No Rock in Rio 2026, Alok conquistou uma plateia dominada por fãs de K-pop com o espetáculo "Keep Art Human". Unindo alta tecnologia e valorização humana, a apresentação contou com 1.500 drones, 45 bailarinos, pirotecnia e a participação de Zeeba ao piano, acompanhado pelos filhos do DJ. O repertório misturou sucessos próprios, K-pop, rock e funk carioca, transformando um set milimetricamente sincronizado em um dos shows mais marcantes e grandiosos da noite.

Alok entrou no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 às 21h20 de sexta-feira ocupando uma posição bastante peculiar na programação. NEXZ e Hwasa já haviam apresentado duas faces diferentes do K-pop, enquanto milhares de STAYs permaneceriam diante do palco até a entrada do Stray Kids, marcada para depois da meia-noite. O brasileiro estava no meio dessa sequência com um espetáculo de música eletrônica e uma plateia que, em grande parte, não havia comprado o ingresso pensando nele. Poucos minutos foram suficientes para transformar essa condição numa vantagem.

A contagem regressiva inicial ainda produziu um pequeno tropeço. O relógio chegou ao fim e o show demorou alguns instantes para efetivamente começar, quebrando parte da tensão que havia sido construída. Assim que a produção entrou em funcionamento, porém, ficou claro por que aquele atraso seria apenas detalhe. Alok apareceu diante de sua conhecida mesa sustentada por grandes mãos cenográficas enquanto o próprio céu começava a participar da apresentação.

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O Keep Art Human já havia sido apresentado no Coachella, mas ganhou no Rio uma escala pensada para o espaço aberto da Cidade do Rock. Cerca de 1.500 drones ocuparam o céu, chegando a aproximadamente 300 metros de altura e formando desenhos numa extensão que poderia alcançar 400 metros. Rostos, uma grande cabeça futurista, uma nave e outras formas apareceram sobre o Parque Olímpico enquanto fogo, lasers e os enormes LEDs do Mundo trabalhavam embaixo.

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A tecnologia foi usada para defender aquilo que ela não consegue substituir

Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Via Site oficial)
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Via Site oficial)
Foto: Divulgação/Rock in Rio (Via Site oficial) / Woo! Magazine

O elemento mais esperto do Keep Art Human está na aparente contradição de sua proposta. Alok utiliza drones programados, telas gigantes, sincronização digital, lasers e uma quantidade enorme de equipamentos para falar sobre o valor da criação humana diante do avanço da inteligência artificial. Em vez de esconder essa tensão, o espetáculo trabalha dentro dela.

Logo no começo, a cabeça criada pelos drones trouxe uma mensagem pedindo que o público abandonasse a espera e vivesse aquele momento, dançando, gritando e sendo quem realmente é. O conceito retornaria durante toda a apresentação através de palavras, imagens e da presença física dos 45 bailarinos do Urban Theory, grupo italiano especializado em movimentos extremamente sincronizados. Os corpos formavam imagens diante do DJ e funcionavam como um painel humano em contraste direto com os milhares de pontos programados no céu.

Essa escolha impede que os drones funcionem apenas como atração fotográfica. Eles impressionam pelo tamanho, claro, e boa parte da plateia imediatamente levantou o celular para registrar o céu. A mensagem ganha mais força quando o olhar retorna para o palco e encontra dezenas de pessoas executando movimentos precisos em conjunto. A tecnologia cria imagens impossíveis para um corpo; os bailarinos fazem coisas que só possuem impacto porque existe gente realizando aquilo diante do público.

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Musicalmente, o show acompanha essa lógica por blocos. "Alive" e "Don't Say Goodbye" aparecem juntas logo no começo, seguidas por uma sequência que aproxima "Jungle" de "B.Y.O.B.", do System of a Down, e outro trecho que mistura referências de MEDUZA e "Satisfaction". O repertório é menos uma lista convencional de músicas completas e mais uma montagem de faixas, samples, drops e mashups sincronizados ao desenho visual.

Alok percebeu quem estava diante dele

Havia uma pergunta inevitável naquele horário: como fazer música eletrônica funcionar diante de uma multidão que estava esperando Stray Kids?

Alok respondeu sem tentar disputar território. O set incorporou referências ao próprio público daquele dia. "Jump", do BlackPink, apareceu dentro de um dos mashups, e mais tarde seria apresentada "Inhibition", colaboração inédita de Alok com Mesto e TWICE. A escolha recebeu uma reação imediata porque reconhecia o perfil de quem estava diante do palco sem transformar toda a apresentação numa tentativa calculada de imitar o universo do K-pop.

O DJ também falou diretamente sobre a presença do Stray Kids como headliner. Comentou a resistência que havia visto desde o anúncio e defendeu uma geração que escolhe seus próprios artistas sem se preocupar com a aprovação de quem considera determinado gênero inadequado para o festival. A fala encontrou espaço porque vinha depois de horas em que NEXZ e Hwasa já haviam mostrado, diante de uma Cidade do Rock cheia, que aquela programação possuía público próprio.

Essa leitura da plateia aparece também quando "Levels", de Avicii, entra no set ou quando "Fuego", parceria com Bhaskar, aumenta a pulsação. São músicas fáceis de reconhecer mesmo para quem não acompanha profundamente a carreira de Alok. O DJ utiliza esse repertório compartilhado como entrada para blocos mais pesados e volta a referências populares quando sente necessidade de recuperar o coro.

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O funk carioca entrou com a mesma finalidade, mas carregando outra relação com o lugar. Um medley aproximou "Rap da Felicidade" de "Nova Geração", e a resposta do público foi imediata. Depois de K-pop, rock, house e techno passarem pelo mesmo set, ouvir um refrão nascido dentro da própria cultura musical do Rio recolocava a Cidade do Rock dentro daquele espetáculo extremamente tecnológico.

Zeeba desligou o espetáculo por alguns minutos e foi quando ele mais fez sentido

O momento mais emocional veio justamente quando boa parte da maquinaria perdeu protagonismo. Zeeba entrou próximo à reta final. A parceria entre os dois completa uma década em torno de "Hear Me Now", faixa responsável por alterar a escala internacional das carreiras de ambos. A música já funcionaria naturalmente como um dos grandes coros da noite, mas a entrada ganhou outra camada quando Ravi e Raika, filhos de Alok, subiram ao palco e apareceram no colo do pai. As crianças haviam acompanhado parte do show na área reservada usando protetores auriculares.

Depois de tantos lasers, fogos, bailarinos e drones, Zeeba sentou ao piano. "Ocean" apareceu praticamente reduzida à voz e instrumento. "Never Let Me Go" seguiu a mesma direção antes de a produção recuperar sua escala. Os dois ainda apresentaram "Monday", nova parceria lançada nesse período.

Esse trecho é o que melhor explica o Keep Art Human. Uma cabeça formada por 1.500 drones é uma imagem gigantesca. Duas pessoas fazendo música diante de um piano ocupam pouquíssimo espaço. Colocar os dois extremos dentro do mesmo espetáculo faz a ideia central aparecer sem precisar de uma palestra sobre inteligência artificial.

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Zeeba também resolve uma limitação natural do formato. Durante boa parte do set, Alok trabalha como DJ, condutor e diretor de uma máquina audiovisual. Com um cantor presente, a relação muda. Existe respiração, fraseado, improviso e uma voz que não precisa obedecer exatamente ao desenho das telas. O contraste dá à reta final uma variação que o espetáculo precisava depois de tantos estímulos.

O novo Palco Mundo finalmente encontrou um Show disposto a usar tudo

Imagem: Divulgação/The Town (Crédito: I Hate Flash)
Foto: Divulgação/The Town ( I Hate Flash) / Woo! Magazine

Desde o primeiro dia do Rock in Rio 2026, o tamanho dos novos painéis vem provocando uma diferença clara entre artistas que simplesmente projetam imagens e aqueles que pensam sua apresentação levando a superfície inteira em consideração.

Alok pertence ao segundo grupo. O Mundo foi transformado em nave, arquitetura digital e superfície para animações tridimensionais. Os drones expandiram essa área para cima, enquanto os bailarinos davam profundidade à parte inferior. Em determinados momentos, era difícil determinar onde terminava o cenário físico e começava a projeção. A escala fazia sentido porque o espetáculo havia sido concebido para ela desde o início.

Também existe um preço artístico nessa escolha. O show precisa seguir marcações muito precisas para drones, pirotecnia, dançarinos e vídeos se encontrarem nos segundos corretos. Isso reduz a liberdade de alterar completamente o set a partir da resposta da pista. Em alguns trechos, sente-se mais a lógica de espetáculo programado do que a de uma rave construída no instante.

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Alok parece consciente dessa diferença. Tanto que retorna ao festival no New Dance Order com Rave The World, projeto de outra natureza, pensado para um set bem mais flexível e moldado pela resposta do público. O Keep Art Human trabalha de maneira oposta: possui dramaturgia visual, blocos definidos e pontos de encontro previamente calculados.

Dentro dessa proposta, a precisão funciona. O ponto que poderia ser revisto está no volume de estímulos. Em determinados blocos, drone, LED, laser, fogo, bailarinos e mashup disputam atenção simultaneamente, e a música termina ocupando menos espaço do que a produção. Para um show chamado Keep Art Human, os melhores momentos acabam sendo justamente aqueles em que alguma camada é retirada e o público consegue perceber melhor as pessoas no centro daquela engrenagem.

Alok entrou como intervalo entre dois mundos e saiu como um dos grandes shows da noite

A circunstância poderia ter reduzido a apresentação a uma grande espera entre Hwasa e Stray Kids. A plateia já havia mostrado desde cedo que o K-pop comandava a sexta-feira, e muita gente permaneceu no mesmo lugar durante horas para proteger sua posição.

Alok conseguiu fazer aquela multidão dançar. Conseguiu porque não ignorou quem estava diante dele, mas também não desmontou sua própria identidade para agradar o público. Houve BlackPink e TWICE, mas também Avicii, System of a Down, funk carioca, sucessos próprios e o universo visual que vem definindo seus shows de grande escala.

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A participação de Zeeba trouxe memória e afeto. Os filhos inseriram uma dimensão pessoal. Os bailarinos deram corpo ao conceito. Os drones fizeram o céu parecer continuação do Mundo. E o repertório utilizou estilos bastante diferentes sem precisar apresentar cada referência como um acontecimento separado.

Quatro anos depois de sua apresentação no Palco Mundo em 2022, Alok voltou com uma produção ainda maior. Naquela edição, lasers eram a grande assinatura visual. Em 2026, a ambição aumentou e passou a ocupar também o espaço acima da Cidade do Rock.

O resultado confirma uma característica que já se tornou parte de seus grandes shows: Alok pensa como DJ, mas também como diretor de espetáculo. No Rock in Rio 2026, essa combinação colocou sua apresentação entre as maiores da noite.

Imagem: Reprodução/Instagram (@Alok)

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

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