Em meados dos anos 1990, o cenário musical testemunhou um dos encontros mais improváveis e artisticamente curiosos da história do rock. David Bowie decidiu que queria abrir os shows para uma das bandas mais requisitadas daquela década: o Nine Inch Nails.
A parceria ocorreu em 1995, durante a turnê norte-americana intitulada Dissonance. Naquele momento, Trent Reznor e sua banda de rock/metal industrial estavam no auge da popularidade com o álbum The Downward Spiral (1994), enquanto Bowie promovia seu experimental disco 1. Outside (1995).
Para David Bowie, porém, a escolha não foi baseada em números, mas em uma profunda admiração mútua. Reznor cresceu idolatrando Bowie, especialmente a "fase de Berlim" e álbuns como Low (1977) e Scary Monsters (1980). Por outro lado, o Camaleão do Rock via no Nine Inch Nails a energia e a inovação que buscava para revitalizar sua própria música.
Em declaração destacada pela Far Out Magazine, Bowie explicou:
"Eu estava tentando descobrir o tipo de coisa que eu realmente queria fazer. Como você sabe, eu gosto muito de ser aventureiro em termos do que faço no palco. Por acaso, liguei para a equipe do Trent para saber se ele teria interesse em trabalhar comigo em uma turnê."
Nine Inch Nails e David Bowie
O Nine Inch Nails concordou, mas não necessariamente tendo David Bowie como ato de abertura. O formato do show era audacioso, com a banda iniciando a performance e, após um momento de transição quase teatral, David Bowie surgia no palco. Ele e o grupo, então, tocavam juntos e depois o Camaleão dava sequência à apresentação sozinho.
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Um dos momentos mais emblemáticos dessa colaboração era a performance conjunta de "Hurt". Além de dela, eles dividiram os vocais em faixas como "Subterraneans", "Hallo Spaceboy" e "Reptile".
Trent Reznor reviveu o encontro em entrevista à Rolling Stone EUA em 2016:
"Um dos melhores momentos da minha vida foi dividir o palco com David Bowie e cantar junto com ele 'Hurt'. Eu saí de mim, e pensava 'estou ao lado de uma das pessoas mais influentes na minha vida, e ele está cantando uma música que escrevi no meu quarto."