A influência dos Beatles na trajetória do Oasis nunca foi segredo. No entanto, a escolha de Noel Gallagher sobre qual é a obra-prima definitiva do quarteto de Liverpool pode causar certa surpresa, tendo em vista que não é um dos grandes hits da banda e inclusive foi lançada como lado B de um single.
Para o guitarrista, vocalista e principal compositor do Oasis, a melhor e mais impressionante composição dos Beatles é "I Am the Walrus", lançada originalmente em 1967.
Escrita por John Lennon e presente no álbum e no filme Magical Mystery Tour, a canção psicodélica marcada por uma estrutura complexa e letras surreais é considerada atemporal por Noel.
https://www.youtube.com/watch?v=t1Jm5epJr10&list=RDt1Jm5epJr10&start_radio=1&pp=ygUXYmVhdGxlcyBJIEFtIHRoZSBXYWxydXOgBwHSBwkJPwsBhyohjO8%3D
Para o músico do Oasis, "I Am the Walrus" mantém um frescor único e um padrão de excelência que a posiciona no topo da vasta discografia dos Beatles. Ela simbolizaria o ápice do experimentalismo pop da década de 1960.
Em declaração destacada pela Far Out Magazine, Noel comenta:
"Dependendo das caixas de som em que estou ouvindo ('I Am the Walrus'), sempre descubro algo novo. Ou então penso: 'Nunca ouvi isso antes... será que era isso que a interferência no rádio estava dizendo?'. Quer dizer, você está escovando os dentes e pensa: 'Nunca ouvi isso antes'."
https://www.youtube.com/watch?v=Ram8JeA3khI&list=RDRam8JeA3khI&start_radio=1&pp=ygUVb2FzaXMgSSBBbSB0aGUgV2FscnVzoAcB
Beatles, Oasis e "I Am the Walrus"
"I Am the Walrus" é tão apreciada por Noel e Liam Gallagher que esteve até mesmo presente no setlist do Oasis por vários anos. A faixa servia tradicionalmente como encerramento dos shows da banda, acumulando mais de 300 performances ao vivo.
A última vez, porém, foi em 2009, na apresentação final do grupo antes da longa pausa. Nos shows de reunião, em 2025, o Oasis não voltou a tocá-la.
Sobre a música
John Lennon escreveu a letra de "I Am the Walrus" após saber que um professor de sua antiga escola estava fazendo os alunos analisarem e buscarem significados ocultos nas músicas dos Beatles. Como brincadeira, ele juntou as imagens mais absurdas, sem sentido e confusas que conseguiu pensar para deixar os acadêmicos "malucos" tentando decifrá-la.
A colagem de versos mistura o poema The Walrus and the Carpenter (de Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas), cantigas de roda inglesas, o som de uma sirene de polícia e referências ácidas à sociedade da época. Musicalmente, é uma das gravações mais complexas da banda.