Lynn Painter: Escritora favorita das adolescentes fala sobre livros, personagens, abraços e Brasil

Autora de 'Melhor do Que Nos Filmes' conta como escreve seus livros, comenta as adaptações de suas obras e vinda ao Brasil para participar da Bienal do Livro de São Paulo em setembro

31 ago 2026 - 20h08
Resumo
A escritora norte-americana Lynn Painter, fenômeno literário impulsionado pelo BookTok e com mais de 1 milhão de livros vendidos no Brasil, vive o auge da carreira com adaptações audiovisuais em andamento e novos lançamentos. Conhecida por romances com diálogos ágeis e protagonistas masculinos idealizados, a autora de Melhor do Que Nos Filmes comemora seu forte vínculo com os fãs brasileiros às vésperas de participar da Bienal do Livro de São Paulo, onde teve ingressos esgotados em segundos.

A escritora Lynn Painter, autora de 'Melhor do que nos filmes' e 'Mil vezes amor'
A escritora Lynn Painter, autora de 'Melhor do que nos filmes' e 'Mil vezes amor'
Foto: Jackson Okun/Divulgação / Estadão

Lynn Painter nunca imaginou que suas histórias teriam o impacto que têm e chegariam tão longe quando decidiu abandonar seu emprego em uma imobiliária e se dedicar às suas "historinhas". Vivendo o melhor, até agora, momento de sua carreira literária, a autora de Melhor do Que Nos Filmes coleciona best-sellers, se prepara para ver dois de seus livros ganharem adaptações para as telas e também para reencontrar suas leitoras brasileiras - que contam os dias para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a ser realizada de 4 a 13 de setembro, no Anhembi.

Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Brasil e dois lançamentos, 13 Histórias de Amor: Uma Antologia Inspirada nas Músicas de Taylor Swift (ela assina um dos textos da antologia) e Nada é por acaso, pela Intrínseca, a escritora americana concedeu uma entrevista ao Estadão por vídeo, às vésperas de seu embarque para o Brasil. Ela passa pela Bienal na sexta, 4, para uma conversa no Espaço Podcast, e participa de encontro maior com fãs no sábado, 5, na Arena Cultural. Os ingressos para entrar na feira no sábado, 5, já estão esgotados e as senhas para autógrafos terminaram em segundos.

Na conversa, a escritora, conhecida pelo tom divertido e apaixonante que conquistou a internet, falou sobre sua relação com o Brasil e contou como um dos seus personagens mais queridos pelas fãs mudou completamente sua visão sobre o próprio desenvolvimento de seu trabalho.

Como Lynn Painter se tornou escritora e ficou famosa

Lynn Painter, que vive em Nebraska, nos Estados Unidos, não pensava em ser escritora. Ela até escrevia, mas dividia seu tempo tentando escrever romances com o trabalho formal no ramo imobiliário. E com a criação dos filhos - são cinco. O desejo estava ali, esperando a hora certa.

Em 2021, quando acredita-se que ela tinha cerca de 50 anos (ela não menciona a idade), Lynn Painter lançou seu primeiro livro, Melhor Do Que Nos Filmes, escrito nas horas vagas - sempre à noite.

Foi apenas em 2023, ano de lançamento de Apostando no Amor, Sorte no Amor e Melhor do Que Antes, entre outros, que ela decidiu deixar o emprego e se dedicar à escrita.

No meio disso, aconteceu algo importante. Em 2022, Lynn Painter caiu nas graças das comunidades online de livros. Foi por conta de uma influenciadora, Haley Pham, que um livro dela, que até então passava despercebido, foi conquistando mais e mais leitoras, e mais e mais leitoras passaram a procurar outros livros da autora. "E aí, do nada, a coisa começou a engrenar e meio que não parou mais", resume a autora sobre a descoberta e o estouro de Melhor do Que Nos Filmes.

Painter reconhece a importância que comunidades como o BookTok possuem na popularização de livros: "Eu posso ver um pequeno trailer sobre um livro que escrevi e isso é a coisa mais legal do mundo", comentou, em referência ao hábito dos leitores de criarem fanarts, playlists e até mesmo 'escolherem' atores para viverem os personagens nas adaptações.

Seus diálogos também elogiados pelos leitores e causam impacto, mas ela diz não saber "qual é o segredo". "Não sou uma pessoa tão engraçada na vida real, mas se eu estiver te mandando mensagem, sinto que sou mais engraçada por texto, sabe? E por isso acho que a comunicação moderna é tão divertida de explorar, com mensagens de texto e grupos de conversa. E sinto que, quando você joga isso na mistura, diálogos rápidos, afiados e sarcasmo tornam-se as minhas coisas favoritas."

'Homens escritos por mulheres'

Muito se fala nas redes sociais e comunidades de livros sobre os homens escritos por mulheres - sobre uma visão masculina escrita sob o ponto de vista feminino, como nos livros de Ali Hazelwood ou no fenômeno mais recente Off Campus.

Mas esta também é uma das coisas favoritas da autora: "Escrever personagens masculinos é a minha coisa favorita", diz ela, criadora dos adolescentes Wes Bennett e Alec Barczewski e do milionário Declan Powell - personagens escritos de uma forma em que a protagonista é valorizada, amada e protegida.

"Na primeira vez que escrevi o ponto de vista do Wes Bennett, foi como se as nuvens se abrissem", disse a autora. "E eu ouvi uma música e pensei: 'preciso escrever do jeito que os homens pensam, porque é assim que a gente quer que eles pensem'. Aí um dos meus filhos brincou comigo: 'você só está escrevendo o ponto de vista de uma mulher com muito mais palavrão e chamando de ponto de vista masculino'."

"Sobre Patinando no Amor, faz poucas semanas que comecei a conversar com a pessoa que vai dirigir a adaptação, mas é a mesma coisa. É tudo muito colaborativo. Trocamos muitas ideias. Eu posso mandar um e-mail ou uma mensagem a qualquer hora para falar sobre o elenco ou sobre o roteiro", completou.

Relacionamento com o Brasil

Esta é a quarta vez que Lynn Painter vem ao Brasil - e a segunda participação na Bienal do Livro de São Paulo (ela também já foi na do Rio). "A primeira vez que vim, eu não era de dar abraços. E quando fui embora, estava tipo: 'nossa, acho que abracei umas 500 pessoas este fim de semana'. É uma alegria pura. Não sei como ganhei o presente de conhecer pessoas do Brasil, mas tem sido incrível. E tem um senso de família tão forte. Já aconteceu de um pai ficar na fila por duas horas e meia para autografar o livro da filha porque ela não podia estar lá. E eu fico tipo: 'você tá de brincadeira comigo? Você fez isso pela sua filha, por horas?'."

Lynn Painter na Bienal do Livro de São Paulo 2026

04 de setembro

  • 17h30 | Espaço Podcast
  • 19h | Sessão de autógrafos extra

Domingo, 5 de setembro

  • 16h30 | Arena Cultural
  • Mesa: Fake Dating, rivais e clichês: a receita do romance perfeito
  • Mediação: Mari Araújo
  • Sessão de autógrafos após a mesa

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