A atriz, cineasta e diretora Helena Ignez, um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro, será homenageada pelo Itaú Cultural com uma edição da série Ocupação, que estreia no dia 22 de julho, às 19h30, em São Paulo. Em cartaz até 18 de outubro, a exposição apresenta uma imersão na trajetória da artista, reunindo documentos raros, fotografias, vídeos, filmes restaurados, instalações e materiais inéditos que revelam sua contribuição para o cinema, o teatro e a cultura brasileira.
Primeira cineasta a receber uma Ocupação do Itaú Cultural, Helena, hoje com 87 anos, continua em plena atividade artística, atuando em filmes, espetáculos e dirigindo novos projetos. A exposição privilegia sua própria voz para conduzir o visitante por uma narrativa construída em primeira pessoa, destacando sua liberdade criativa e a potência de sua presença cênica.
Ao contrário de uma retrospectiva cronológica, a mostra aposta em uma abordagem sensorial e temática. Logo na entrada, o público é recebido por uma instalação imersiva com narração da própria artista e projeções de momentos marcantes de sua carreira, reforçando o corpo como linguagem e a atuação como gesto político.
Da Bahia ao cinema de invenção
Nascida em Salvador, em 1939, Helena Ignez iniciou sua formação artística em 1956, na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ao longo das décadas seguintes, tornou-se protagonista de movimentos fundamentais do cinema nacional, atravessando o Cinema Novo, o Cinema Marginal e a fase experimental da produtora Belair.
A curadoria destaca Helena como uma "antimusa", conceito que rompe com a ideia da atriz apenas como objeto de contemplação para evidenciar sua atuação como criadora, diretora e protagonista de uma obra marcada pela ousadia estética e política.
Entre os destaques está A Mulher de Todos (1969), dirigido por Rogério Sganzerla, considerado um dos papéis mais emblemáticos de sua carreira. A personagem Ângela Carne e Osso, que desafia os padrões de comportamento feminino durante a ditadura militar, ganha espaço especial com trechos restaurados do filme, cartazes originais e materiais de bastidores.
Teatro ganha protagonismo
Embora seja reconhecida principalmente pelo cinema, a exposição dedica um núcleo especial ao trabalho de Helena nos palcos. Fotografias, programas de espetáculos, críticas teatrais e documentos inéditos revelam uma faceta ainda pouco conhecida pelo grande público.
Recentemente, a atriz integrou o elenco de Fim de Partida, clássico de Samuel Beckett dirigido por Rodrigo Portella, ao lado de Marco Nanini, Guilherme Weber e Ary França.
Preservação da memória do cinema brasileiro
A mostra também apresenta o intenso período de criação da produtora Belair, fundada por Helena Ignez, Rogério Sganzerla e Júlio Bressane em 1970. Em poucos meses, o grupo realizou seis longas-metragens antes de ser interrompido pela censura e pelo exílio.
Como parte do projeto, o Itaú Cultural e a Cinemateca Brasileira desenvolveram ações de preservação e digitalização de importantes obras do cinema nacional. Entre elas estão O Bandido da Luz Vermelha, O Padre e a Moça, O Grito da Terra e A Grande Feira, além da recuperação de materiais históricos relacionados à trajetória da atriz.
Outra novidade é a finalização do longa América do Sol (2000-2026), de Léo Duarte, que marca o retorno da personagem Sônia Silk, interpretada por Helena em Copacabana Mon Amour. O filme será disponibilizado na plataforma gratuita Itaú Cultural Play.
Produção inédita e programação especial
A Ocupação também impulsiona novos trabalhos. Um deles é o curta-metragem Des-criação, dirigido por Helena Ignez em parceria com André Guerreiro Lopes. Em formato híbrido entre cinema e videoarte, o filme mergulha nas reflexões da artista sobre memória, criação, tempo e existência.
Durante o período da exposição, o público poderá acompanhar uma retrospectiva com 22 filmes na plataforma Itaú Cultural Play. Também estão previstas sessões presenciais em Salvador e São Paulo, além da remontagem da peça Savannah Bay, de Marguerite Duras, dirigida por André Guerreiro Lopes e estrelada por Helena.
A programação é complementada por uma publicação digital e um site exclusivo com conteúdos inéditos sobre a vida e a obra da artista. para acessar.
Serviço
Ocupação Helena Ignez
Abertura: 22 de julho, às 19h30
Visitação: de 23 de julho a 18 de outubro
Local: Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, São Paulo
Entrada: gratuita