No sábado (11), no Encontro Monárquico Nacional, em São Paulo, o atual chefe da Casa Imperial do Brasil, príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, anunciou que não dará autorização para o casamento do sobrinho, príncipe Dom Rafael, com a italiana Margherita delle Piane.
Com isso, caso o noivado se converta em matrimônio, Rafael perderá seus direitos dinásticos e será excluído da linha sucessória à coroa.
Uma sucessão imaginária, obviamente, já que o Brasil é uma república desde 15 de novembro de 1889. O regime foi reconfirmado em plebiscito realizado em abril de 1993.
Ainda que a restauração da monarquia seja improvável, a Casa Real mantém suas tradições. Entre elas, a hierarquia de sucessão ao trono de Dom Pedro II.
A remoção de Dom Rafael coloca sua irmã mais nova, princesa Dona Maria Gabriela, de 36 anos, como a 2ª na ‘fila’, logo atrás do tio, Dom Bertrand, 85, que nunca se casou nem teve filhos.
O amor ou o trono
Em entrevista à revista francesa ‘Point de Vue’, Dom Rafael, 40 anos, se declarou apaixonado por Margherita, 38.
Apesar de pertencer a uma família considerada nobre em Gênova, ela quebra a regra de casamento dinástico dos Orleans e Bragança por não ser membro de uma casa real reinante ou ex-reinante.
Na maioria dos clãs da realeza, um príncipe tem a obrigação de se casar com uma princesa para assegurar a continuidade da dinastia por meio de uma união considerada igual em status.
Por isso, o casamento com uma plebeia ou uma nobre sem relação direta com uma monarquia precisa de autorização de quem ocupa o trono, seja um rei ou uma rainha.
No caso do Brasil, o chefe da Casa Imperial, Dom Bertrand. Ele preferiu manter a tradição e negar o consentimento ao sobrinho.
Dom Rafael terá provavelmente o mesmo destino da irmã mais velha, Dona Maria Amélia.
Em 2014, ela precisou renunciar aos direitos dinásticos para se casar com o escocês Alexander James Spearman, um descendente de baronetes, mas sem título próprio de nobreza.