Além da jaqueta localizada preservada sobre o caixão de Dinho, a exumação revelou outro objeto que emocionou familiares. No túmulo do guitarrista Alberto Hinoto, o Bento, foi encontrado um bicho de pelúcia colocado sobre o caixão do músico. De acordo com Cláudia Hinoto, cunhada de Bento, a pelúcia foi colocada sobre a urna de Alberto no próprio dia do sepultamento e permaneceu dentro do túmulo desde então.
Claudia diz que o objeto provavelmente foi deixado por um fã que esteve presente na despedida do músico, e a família decidiu mantê-lo junto ao caixão como forma de preservar o gesto. Para ela, o brinquedo simboliza o carinho e a admiração que o guitarrista despertava. "Acredito que foi uma maneira de alguém demonstrar o amor que sentia pelo Alberto", afirmou.
De memorial a ponto turístico
A proposta do Memorial BioParque e Parque Primaveras vai além de uma homenagem simbólica. A família e a gestão da marca defendem que o espaço se consolide como ponto turístico oficial de Guarulhos, cidade onde os Mamonas Assassinas nasceram e de onde partiram para conquistar o país.
Jorge Santana afirma que falta sensibilidade do poder público para incorporar o legado da banda à identidade cultural do município. "Guarulhos é o segundo município mais populoso do estado de São Paulo, e os Mamonas sempre tiveram orgulho de levar o nome da cidade para o mundo. Mas percebemos que o governo não é sensível a essa questão", diz.
Ele cita tentativas que não avançaram, como pedidos para nomear espaços públicos em homenagem ao grupo. "Não temos ajuda nem para situações simples, como nome de ruas. Já houve solicitação para que a estação Bosque Maia fosse chamada de Estação Mamonas, mas nada anda. Fica sempre no 'vamos ver'."
'Quem perde é a arte': família quer rota cultural e museu
Para Jorge, a falta de reconhecimento oficial representa uma perda cultural. "A banda que levou o nome de Guarulhos para o mundo não está na pauta de vereadores, prefeito ou governador. Quem perde é a arte, é a cultura", afirma. Ele lembra que quem chega pelo Aeroporto de Guarulhos e percorre a rodovia Hélio Smidt não encontra referências à história artística da cidade.
O empresário acredita que o memorial pode marcar uma virada e se transformar em rota cultural permanente. No entanto, pondera que o espaço no cemitério, sozinho, não é suficiente para alcançar todos os públicos. "Nem todo mundo gosta ou se sente confortável em visitar um cemitério. Por isso, pensamos em algo maior."
Entre os próximos passos está a criação de um Museu Mamonas Assassinas, com roupas, objetos pessoais e itens históricos da banda, ampliando o acesso à memória do grupo em um ambiente cultural mais democrático. A família também pretende fortalecer o Instituto Mamonas Assassinas, que já desenvolve projetos sociais como o Mamonas Futebol para amputados e iniciativas voltadas ao autismo.