A morte de Juca de Oliveira, neste sábado, 21, deixa um espaço de luto na televisão, no teatro e no cinema. O ator, que estreou nos palcos em 1961 e nas telinhas em 1964, impactou gerações com seu trabalho. Afinal, nos 65 anos de carreira, ele atuou em mais de 50 novelas, 12 filmes e escreveu 11 peças, além das que atuou.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Os mais novos devem se lembrar de Juca por seus papéis mais recentes, como Santiago, pai da vilã Carminha, em Avenida Brasil (2012), e como o Dr. Augusto Albieri, responsável pelos experimentos de clonagem humana em O Clone (2001).
Juca de Oliveira interpretou João Gibão, um dos destaques de Saramandaia, novela de realismo fantástico escrita por Dias Gomes. Seu apelido vem do hábito de se cobrir com um gibão para esconder um defeito nas costas. Inteligente e sensível, possuía dotes paranormais, como a premonição - o que o atormentava, pois não conseguia mudar o destino.
Em O Clone, Juca interpreta o Dr. Albieri, um cientista apaixonado pelas possibilidades revolucionárias da engenharia genética, mas que vive dilemas éticos. Consegue a proeza científica de clonar uma pessoa, mas usa este acontecimento científico de modo condenável: realiza em segredo a inseminação artificial em uma mulher sem a consultar ou avisar, o que resulta no primeiro nascimento de um clone.
Em Avenida Brasil, Juca de Oliveira interpretou Santiago, um homem que se faz passar por bondoso, mas deixa seu passado envolto em mistérios e mentiras. Na verdade, era o verdadeiro vilão da trama e pai de Carminha (Adriana Esteves).
Sua estreia na televisão foi na extinta TV Tupi, depois Juca seguiu emplacando papel atrás de papel na TV Globo. Na década de 1970, viveu João Gibão, na primeira versão de Saramandaia (1976). Depois, em 1993, voltou a se destacar como Praxedes de Menezes, em Fera Ferida.
No teatro, Juca de Oliveira oscilava entre os papéis como ator e as peças que criou como escritor. As peças Caixa Dois (2007) e Qualquer Gato Vira-Lata (2011), escritas por ele, renderam adaptações de sucesso nos cinemas. Outra montagem renomada de Juca no teatro foi Baixa Sociedade, cuja montagem original é de 1979.
Quem vê um currículo tão recheado pode imaginar que Juca de Oliveira nasceu para as artes, mas nem sempre ele acreditou nisso. O ator chegou a ingressar no curso de Direito e a trabalhar em um banco, quando, depois de fazer um teste vocacional, decidiu dar uma chance ao teatro.
Morte e velório
Em nota à imprensa, a família de Juca de Oliveira informou que ele estava internado desde o último dia 13, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardíaca do Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica. Nos últimos dias, seu estado de saúde era considerado delicado.
O ator será velado ainda neste sábado, 21, na Funeral Home, no bairro de Bela Vista, em São Paulo, a partir das 15h até 22h. No dia seguinte, no domingo, 22, ocorrerá o enterro, sem velório, no Cemitério do Araçá, também na capital paulista.
(Com Estadão Conteúdo)