Um diagnóstico devastador de meningite bacteriana em 2009 mudou para sempre o destino de Pedro Pimenta. Com apenas 18 anos, ele precisou amputar os dois braços e as duas pernas para sobreviver à infecção. No entanto, o trauma inicial deu lugar a uma jornada impressionante de reconstrução pessoal e empresarial.
Após enfrentar meses de internação e adaptar-se à rotina em uma cadeira de rodas, o brasileiro decidiu buscar tratamentos avançados no exterior. Esse movimento acabou transformando o rumo da sua vida profissional. Foi no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, que a grande virada aconteceu.
Durante a reabilitação na Hanger Clinic, ele passou a treinar diariamente ao lado de soldados amputados que retornavam dos conflitos no Iraque e no Afeganistão.
"Eu convivi e treinei nesse centro especializado ao lado de veteranos de guerra amputados vindos de combates no Iraque e no Afeganistão. Esse convívio intenso em Oklahoma mudou minha perspectiva psicológica e física e foi decisivo para que eu reconstruísse a minha autonomia e retomasse meus projetos de vida", relembra o empresário.
Modelo de negócio une tecnologia, afeto e suporte entre pacientes
Formado em Economia em solo americano, o executivo retornou ao país em 2020 disposto a revolucionar o mercado de ortopedia técnica. Dessa forma, fundou a Da Vinci Clinic em 2021, em parceria com especialistas da área. Hoje, a empresa conta com unidades em Barueri (SP) e Belo Horizonte (MG).
O grande diferencial da rede consiste em reunir oficina ortopédica, fisioterapia e terapia ocupacional sob o mesmo teto. Além disso, o atendimento coloca a troca de experiências entre as próprias famílias no centro do tratamento.
"O método de reabilitação foi trazido por mim de fora. É um método horizontal, no qual temos um conceito de 'peer support' [apoio mútuo] no centro da reabilitação. Isso significa que os próprios amputados e familiares ajudam na reabilitação uns dos outros, trazendo a ideia de que uma amputação não é uma enfermidade e que uma prótese é, portanto, uma ferramenta", explica.
Produção artesanal de membros e expansão planejada para 2027
Diferente das grandes linhas industriais, a clínica aposta na confecção manual dos membros artificiais para garantir ajuste perfeito ao corpo do paciente. Esse cuidado artesanal demanda mais tempo de produção, mas entrega resultados funcionais muito superiores.
"Na Da Vinci, ainda usamos um sistema feito à mão. Demora mais e é mais custoso, mas os resultados são melhores. Seria similar, por exemplo, ao trabalho de um alfaiate que faz sob medida. Por mais que hoje tenhamos técnicas de pré-moldados, impressão 3D, robótica, etc., ainda é uma área em que nada substitui uma boa mão humana, com muitos anos de treinamento e experiência", ressalta.
Atualmente, o espaço atende mais de 200 pessoas anualmente. Agora, Pedro Pimenta prepara o lançamento do Instituto Pedro Pimenta para 2027. A ONG atuará na cobrança pela inclusão de próteses na cobertura dos planos de saúde e na melhoria das tabelas do SUS.
Além de gerir os negócios, o palestrante integra a programação do evento SP2B - São Paulo Beyond Business, no Parque Ibirapuera, no qual lidera o painel "O Corpo Reabilitado: Tecnologia como Extensão da Vida".