Como está Tati Machado? Psicóloga analisa estado de saúde 10 meses após perda do filho

Especialista explica como a dor pode afetar rotina, identidade e relações, além de orientar sobre formas de apoio durante o processo

7 mar 2026 - 14h06

O relato sincero de Tati Machado sobre a rotina após a perda do filho trouxe à tona um tema ainda cercado de silêncio: o luto perinatal. A apresentadora abriu o coração ao falar sobre a dificuldade de seguir o dia a dia depois da perda, evidenciando um processo emocional profundo que muitas mulheres enfrentam após uma gestação interrompida.

Reprodução/Globo
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Foto: Mais Novela

De acordo com Camila Ribeiro, psicóloga, esse tipo de luto tem características próprias e pode impactar diferentes dimensões da vida. "O luto perinatal rompe não apenas um vínculo, mas um futuro inteiro que já estava sendo imaginado. Quando a perda acontece no final da gestação, a mulher já se reconhece como mãe e já reorganizou sua identidade e sua rotina em função dessa chegada", explica.

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Segundo a especialista, a interrupção abrupta desse projeto de vida costuma provocar uma sensação de desestruturação. "A rotina fica profundamente afetada porque não se trata apenas de ausência física, mas da ausência de expectativa e continuidade. Alterações no sono, dificuldade de concentração e uma sensação de suspensão do tempo são reações comuns", afirma.

Camila ressalta que, embora o sofrimento seja inevitável, existem sinais que ajudam a identificar quando o processo está seguindo um curso considerado saudável. "O luto saudável não é o que dói menos, mas aquele que tem movimento. A dor aparece em ondas, mas com o tempo surgem pequenos respiros, permitindo que a pessoa fale sobre a perda e aceite apoio", diz.

Por outro lado, alguns sinais podem indicar a necessidade de suporte psicológico mais intenso. "Quando há isolamento prolongado, culpa esmagadora ou sensação persistente de vazio absoluto, pode ser sinal de que o sofrimento está se tornando mais profundo e que a pessoa precisa de acompanhamento especializado", alerta.

A psicóloga também destaca que o apoio de familiares e amigos pode fazer diferença, desde que seja feito de forma sensível. "O maior cuidado é não tentar consertar o que não tem conserto. Frases que buscam justificar a perda costumam aumentar o isolamento. O mais importante é sustentar presença, permitir que a dor seja falada e respeitar o tempo de quem está vivendo o luto", orienta.

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Para ela, reconhecer a dimensão emocional da perda é essencial para evitar que o sofrimento seja silenciado. "Depois de uma perda assim, o normal muda. O que ajuda é oferecer acolhimento contínuo e disponibilidade real ao longo de todo o processo", conclui.

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