Claudia Rodrigues diz que 'chão desapareceu' após diagnóstico de esclerose múltipla aos 29 anos: 'Tristeza, revolta e medo'

Atriz estava no auge da carreira e precisou deixar a televisão em 2010

30 mai 2026 - 07h39
Claudia Rodrigues relembra em entrevista ao Terra diagnóstico de esclerose múltipla
Claudia Rodrigues relembra em entrevista ao Terra diagnóstico de esclerose múltipla
Foto: Arquivo pessoal

A atriz Cláudia Rodrigues foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2000, quando tinha apenas 29 anos. O diagnóstico precoce foi essencial para que ela começasse o tratamento o quanto antes e não impediu que ela vivesse o auge da sua carreira na televisão como protagonista do humorístico A Diarista (2003-2007), na Rede Globo.

  • O Dia Mundial da Esclerose Múltipla é celebrado neste sábado, 30 de maio, com o intuito de conscientizar a população sobre a doença. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que cerca de 40 mil brasileiros convivem com a condição neurológica crônica, inflamatória e autoimune

Aos 55 anos, Claudinha, como é carinhosamente chamada por amigos e familiares, compartilha sua rotina de cuidados nas redes sociais e se dedica a alertar as pessoas sobre a doença. O Terra conversou com a atriz e com sua esposa, Adriane Bonato. 

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"Quando recebi o diagnóstico, foi como se o chão desaparecesse debaixo dos meus pés. Eu estava vivendo um momento muito importante da minha carreira, cheia de sonhos, projetos e vontade de continuar levando alegria para o público. De repente, precisei encarar uma doença que eu nem conhecia direito", diz Claudia.

Marinete, personagem vivida por Claudia em 'A Diarista', faz sucesso até nos dias atuais
Foto: Reprodução/Rede Globo

Ela relata que seu maior medo depois do diagnóstico não era apenas perder o trabalho, mas também a independência, a autonomia, a liberdade e a capacidade de continuar sonhando. Para ela, foi um período de muitas lágrimas, dúvidas e incertas.

"Ao mesmo tempo, foi ali que eu comecei a descobrir uma força dentro de mim que eu mesma não sabia que existia. A esclerose múltipla chegou como um grande desafio, mas também me ensinou que a vida pode nos dobrar, mas não precisa nos quebrar", afirma.

A esclerose múltipla pode se manifestar de diferentes formas. Alguns pacientes têm surtos espaçados e boa recuperação entre eles, enquanto outros acabam tendo uma progressão mais contínua dos sintomas. Entre as principais consequências da doença estão perda de força, formigamentos, alterações na visão, tontura, desequilíbrio e fadiga intensa.

Afastamento da TV

Apesar de ter convivido com a doença no auge de sua carreira, as crises causadas pela esclerose múltipla fizeram com que Claudia precisasse se afastar de vez da televisão em 2010. Na época, sua presença já era figura carimbada nos humorísticos da Rede Globo.

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"Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida. A televisão sempre foi minha casa, meu palco, minha alegria. Me afastar não foi uma escolha simples; foi uma necessidade. Eu precisava cuidar da minha saúde para continuar viva, inteira e lutando. Confesso que houve momentos de tristeza, revolta e medo do futuro. Dói muito quando a vida nos obriga a pausar algo que faz parte da nossa alma", revela.

Os desafios de lidar com as crises, no entanto, não impediram que Claudia mantivesse a esperança de que um dia tudo ficaria bem. Ela conta que a pausa não significou uma desistência, mas um momento de parar para cuidar da saúde e se reconstruir. Aos poucos, ela diz que foi transformando a dor em aprendizado, a fragilidade em coragem e o silêncio em uma nova forma de escutar a vida. 

Claudia Rodrigues é casada com Adriane Bonato
Foto: Arquivo pessoal

"Hoje eu entendo que cuidar da saúde é um compromisso diário. Sigo as orientações médicas, faço os tratamentos necessários, respeito os limites do meu corpo e valorizo muito a minha saúde emocional. Aprendi a ouvir meu organismo, a desacelerar quando preciso e a celebrar cada conquista, por menor que pareça. Tem dias mais fáceis e dias mais difíceis, mas todos os dias eu escolho viver", acrescenta.

Vida após o diagnóstico de esclerose múltipla

Há 11 anos, Claudia se relaciona com Adriane. A esposa virou um alicerce na vida da atriz, a quem ela faz questão de elogiar. "A Bonato é um presente de Deus na minha vida. Ela acompanha de perto meus desafios, minhas vitórias e também os momentos em que eu mais preciso de força. Mais do que cuidar de mim, ela acredita em mim. Foi o amor dela que me fez chegar até aqui", se declarou.

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Claudia faz questão de ressaltar que a esclerose múltipla faz parte da sua história, mas não define quem ela é. Alegria, fé, esperança e gratidão estão sempre presentes mesmo diante das dificuldades enfrentadas por conta da doença. "Nossa caminhada é feita de parceria, fé, cuidado e muito amor", complementa.

Ao Terra, Adriane diz que é um desafio diário, mas também uma missão de amor. Ela explica que seu maior desejo sempre foi oferecer à esposa o melhor cuidado possível para que ela pudesse viver com qualidade e com dignidade. 

"Foi o amor que me fez ir atrás, estudar, pesquisar e desenvolver métodos próprios para construir um protocolo de saúde e bem-estar voltado para as necessidades dela. Ao longo do tempo, pude observar, testar e entender o que realmente funciona, o que melhora, o que equilibra e o que fortalece uma pessoa que convive com a esclerose múltipla, tanto fisicamente quanto emocionalmente", ressalta, afirmando que desejar caminhar ao lado da esposa por muitos anos.

Claudia destaca apoio incondicional da esposa nos cuidados da doença
Foto: Arquivo pessoal

Retorno aos palcos

Em 2019, Claudia fez sua reestreia nos palcos com a peça Muito Viva, na qual ela interpretava a faxineira Litinha, personagem criada por ela para a série Caça Talentos (1998). Ela conta que o retorno aos palcos foi profundamente emocionante e que ela teve a oportunidade de reencontrar uma parte dela que nunca deixou de existir.

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"Quando eu estou diante do público, eu sinto que a minha alma respira de novo. Eu ainda tenho muitos sonhos. Quero continuar trabalhando, me conectando com as pessoas e mostrando que a vida não termina quando recebemos um diagnóstico difícil. A vida muda, exige coragem, pede adaptação, mas continua cheia de possibilidades". 

A artista revela que tem muita vontade de voltar à televisão, de participar de projetos especiais e de escrever um livro sobre sua trajetória. Em 2020, ela realizou a primeira Live Documentário do Brasil, chamada O Diário de Claudia Rodrigues: Tributo à Vida, dirigida por Marcelo Calone.

"Foi um projeto muito especial, que contou a minha história até aquele momento e teve participações de pessoas muito queridas para mim. Acredito que Deus ainda está escrevendo muitos capítulos da minha vida. E, enquanto houver vida, haverá sonhos. Enquanto houver fé, haverá recomeços. Enquanto houver amor, haverá força. E enquanto eu puder transformar a minha história em inspiração para alguém não desistir, tudo o que vivi terá um propósito ainda maior", finaliza.

Fonte: Portal Terra
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