Aos 40 anos, Allan Souza Lima vive fase multifacetada com papéis de destaque na novela "Quem Ama Cuida" (Globo) e na série "Cangaço Novo" (Prime Video). Expandindo sua atuação para além da dramaturgia, o artista prepara a estreia de seu primeiro livro autobiográfico e fará sua estreia na direção cinematográfica com o longa "Poeta Bélico", além de atuar em filmes independentes. Allan busca consolidar sua identidade como artista plural que une atuação, literatura e direção.
Aos 40 anos, Allan Souza Lima está na Globo, no Prime Video e se prepara para estrear em duas áreas diferentes: a literatura e a direção cinematográfica.
Na novela "Quem Ama Cuida", de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Allan interpreta Tom, marido abusivo e manipulador de Elenice (Mariana Sena). Já na segunda temporada de "Cangaço Novo", do Prime Video, ele retoma Ubaldo Vaqueiro, personagem que agora enfrenta novos conflitos.
Ambos trabalhos mostram lados bastante diferentes do ator. Enquanto Tom está envolvido em uma trama mais psicológica e doméstica, Ubaldo exige uma atuação física e inserida em um universo de ação.
Allan Souza Lima ganha destaque em "Quem Ama Cuida"
A repercussão de Tom também chamou a atenção de Allan. O personagem, inicialmente pensado como um coadjuvante problemático, ganhou espaço na história ao se aproximar de Pilar (Isabel Teixeira) e Adriana (Letícia Colin).
Com o avanço da trama, Tom se torna amante de Adriana após o rompimento dela com Iuri (José Loreto). Para construir o personagem, Allan buscou fugir da representação mais óbvia de um homem abusivo. "Tenho recebido feedback muito positivo das pessoas que estão acompanhando a novela, tanto pelos comentários que vejo nas redes sociais e também pela forma como a interpretação tem sido recebida", conta.
O ator explica que conversou com mulheres, acompanhou debates e estudou aspectos psicológicos relacionados a relações abusivas. A intenção era mostrar também as ameaças silenciosas que fazem parte desse tipo de violência. "Eu tive muito cuidado em tentar trazer o máximo de realidade possível para uma relação como essa, justamente para sair do arquétipo", afirma.
A construção do papel também levou Allan a refletir sobre a presença desse tipo de comportamento dentro de relações reais. Para ele, a novela pode ajudar a trazer para o debate situações que muitas vezes permanecem escondidas. "Quantos Toms existem dentro das casas, que ameaçam mulheres? Porque, antes de chegar ao feminicídio, existe toda essa ameaça velada, silenciosa, que, aos poucos, vai minando a parceira que está ao lado dele", afirma.
Ator estreia como escritor e diretor
A atuação, porém, é apenas uma das frentes exploradas atualmente por Allan. O artista também está prestes a lançar seu primeiro livro, projeto que nasceu de um período de luto e acabou se transformando em uma experiência de escrita diária durante 42 dias.
Allan conta que sempre manteve o hábito de escrever e guardar anotações pessoais. Ao revisitar esse material, percebeu que poderia transformar sentimentos e memórias em uma obra. "Quando você escreve, você racionaliza e traz de forma mais concreta os seus sentimentos, os seus aprendizados, aquilo que você aprendeu e também o que ainda falta em você", explica.
O livro percorre temas como memória, infância, passagem do tempo e aquilo que permanece depois que uma pessoa vai embora. Para Allan, a criação também funciona como uma forma de compartilhar experiências sem assumir o papel de quem dá respostas. "Existe uma diferença entre estar acima e caminhar ao lado. E esse livro caminha ao lado", resume.
No cinema, a expansão acontece atrás das câmeras. Além de atuar, Allan já trabalha como diretor, produtor e roteirista. Dois longas independentes filmados em 2025 aguardam lançamento em 2026.
Em "Lusco-Fusco", dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa, ele interpreta Matias, personagem envolvido em uma trama de violência familiar. Já em "Talismã", de Thais Fujinaga, vive Orlando, um professor de dança.
O próximo passo é ainda mais pessoal. "Poeta Bélico" será o primeiro longa-metragem dirigido por Allan. O argumento do projeto foi desenvolvido por ele desde 2013 e a produção é da Ikebana Filmes.
Ambientado em um cenário pós-apocalíptico, o filme acompanha dois sobreviventes de perfis opostos: o Guerrilheiro, vivido por Renato Góes, e o Poeta, interpretado por Alejandro Claveaux.
O roteiro de Ulisses da Motta parte dos catorze quadros da Via Crucis. As filmagens estão previstas para Cabaceiras, na Paraíba.
Para Allan, atuar, escrever, dirigir e fotografar fazem parte de um mesmo processo criativo. A multiplicidade, portanto, não representa uma mudança de profissão, mas uma ampliação da maneira como ele encontra formas de se expressar. "Hoje, quando me perguntam o que eu sou, eu respondo que sou artista. Aos 40 anos, entendi que não me limito ao trabalho como ator", afirma.
Ele compara as diferentes linguagens a maneiras distintas de acessar sentimentos, lembranças e experiências pessoais. "O processo criativo abarca tudo isso. Tudo que é criação nasce da mesma fonte humana", conclui.